Operação Infiltrados: homem preso por movimentar dinheiro ilícito para policial civil em Campinas

Um homem de 51 anos foi preso na segunda fase da Operação Infiltrados, suspeito de movimentar R$ 324 mil para policial civil investigado por ligação com o PCC.

Operação Infiltrados: homem preso por movimentar dinheiro ilícito para policial civil em Campinas

Suspeito de lavar dinheiro para policial civil é detido na segunda fase da Operação Infiltrados

Um homem de 51 anos foi preso na sexta-feira (25) em Campinas (SP) por suspeita de movimentar valores ilícitos em benefício de um policial civil investigado por ligação com o PCC. A detenção marca a segunda fase da Operação Infiltrados, conforme reportou g1.globo.com.

O preso não integra os quadros da polícia, mas atuava a serviço de um dos policiais civis envolvidos na investigação, segundo o Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), responsável pela ação. Mandados de prisão temporária e de busca e apreensão foram cumpridos com autorização da 1ª Vara Criminal de Campinas.

Material apreendido e papel do suspeito

No imóvel do detido, foram recolhidos dois celulares e um caderno de anotações com notas fiscais. O promotor de Justiça Marcos Rioli destacou que entre os aparelhos está o celular utilizado pelo suspeito para se comunicar com o policial civil investigado.

"Foram apreendidos celulares, inclusive o que ele utilizava para conversar com o policial civil, anotações, cadernos e agendas. Tudo será analisado para não só reforçar a participação do preso de hoje nessa associação criminosa, bem como apurar eventualmente outros integrantes dessa associação", detalhou Rioli.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o suspeito teria atuado de duas formas: transportar e movimentar valores expressivos em benefício de um policial civil, e fornecer um celular clandestino — com chip habilitado em nome de outra pessoa — para dificultar a identificação das comunicações em eventual investigação.

Depósitos reiterados somam R$ 324 mil

A identificação do homem ocorreu após análise de documentos, celulares e notebooks apreendidos na primeira fase da operação. Na casa de um dos acusados então detidos, foram encontrados comprovantes de depósitos bancários que trazem o nome do suspeito preso nesta sexta como responsável pelos pagamentos.

Os repasses teriam sido feitos de forma reiterada entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, com valores que variavam de R$ 10 mil a R$ 51,7 mil. O Ministério Público aponta que as movimentações somaram R$ 324.220 — quantia considerada, em princípio, incompatível com os rendimentos dos agentes públicos envolvidos.

"O preso de hoje, então, pelo que se apurou, era responsável por movimentar o dinheiro aparentemente obtido de forma ilícita por esses agentes públicos, fazer o depósito, além de fornecer celulares clandestinos para esses agentes do Estado", afirmou o promotor Rioli.

Além dos crimes já investigados, o Gaeco apura também a possibilidade de lavagem de dinheiro.

Contexto: infiltrados no MP e na Polícia Civil

A Operação Infiltrados foi deflagrada em junho para apurar a atuação de supostos integrantes do PCC infiltrados no Ministério Público e na Polícia Civil. Na primeira fase, foram presos um ex-chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do MP.

A operação surgiu de investigações sobre um plano do PCC para matar o promotor Amauri Silveira Filho. Segundo o Ministério Público, uma semana antes da ação que frustrou o atentado, o então chefe de investigadores da Dise de Campinas se reuniu com um dos suspeitos de executar o crime.

A partir desse ponto, o Gaeco passou a apurar possível vazamento de informações sigilosas. Uma segunda frente revelou suspeitas de extorsão: o ex-estagiário do MP, Gabriel Lira de Jesus, é acusado de usar acessos a sistemas internos para identificar investigados e cobrar R$ 500 mil para impedir o envio de informações sobre um deles ao Gaeco.

O ex-chefe de investigadores Maurício Aparecido de Oliveira é suspeito de repassar informações privilegiadas a um investigado.

Defesas e andamento do processo

O nome completo do homem preso nesta sexta não foi divulgado pelas autoridades. Após a detenção, ele foi levado ao plantão da 1ª Seccional de Polícia Civil de Campinas e ficou à disposição da Justiça.

Na primeira fase, a defesa de Maurício Oliveira afirmou que aguardava acesso aos autos e criticou a prisão temporária. A defesa de Gabriel Lira de Jesus disse que os fatos seriam esclarecidos no processo e ressaltou que qualquer conclusão naquele momento seria prematura.

Os acusados na primeira fase respondem por associação criminosa, extorsão, violação de sigilo funcional e falsidade ideológica. O processo segue em andamento.

As investigações continuam para identificar eventuais novos envolvidos. Segundo o Ministério Público, outros integrantes da associação criminosa poderão ser denunciados à Justiça caso sejam reunidos elementos suficientes.

Source: Google News BR — São Paulo