Tunisiano denuncia tráfico internacional de drogas em SP e Justiça pede deportação dos suspeitos

Um tunisiano relatou à Polícia Civil de SP ter sido agredido e ter o passaporte roubado após recusar transportar drogas. Dois compatriotas foram presos e a Justiça pediu avaliação de deportação.

Tunisiano denuncia tráfico internacional de drogas em SP e Justiça pede deportação dos suspeitos

Tunisiano agredido e com passaporte retido após recusar integrar esquema de tráfico em São Paulo

Um homem tunisiano procurou o 42º Distrito Policial (Parque São Lucas), na zona leste de São Paulo, na quinta-feira (24), para relatar que havia sido agredido e had seu passaporte tomado por dois compatriotas após recusar-se a participar de um suposto esquema internacional de tráfico de drogas. O caso é relatado por www1.folha.uol.com.br.

Dois suspeitos foram presos por agressão e ameaça. Na sexta-feira (25), eles passaram por audiência de custódia, e o juiz responsável expediu ofício ao Ministério da Justiça para que fosse avaliada a viabilidade de deportação ou expulsão de ambos do território brasileiro.

Rota internacional de drogas entre Marrocos, Europa e Brasil

A vítima, que não fala português — sendo necessário o uso de um aplicativo de tradução durante o atendimento —, contou à Polícia Civil estar no Brasil há três meses. Veio ao país com a intenção de trabalhar como ajudante geral em uma lanchonete no bairro da Liberdade, no centro de São Paulo, onde já atuavam dois compatriotas.

Com o tempo, passou a dividir moradia com os dois homens e uma outra pessoa. Segundo seu relato, descobriu que os compatriotas estavam envolvidos no tráfico de drogas, sobretudo maconha, por meio de uma rota internacional que passava por Marrocos, países da Europa e o Brasil. No território nacional, o trajeto ocorria entre São Paulo e o Rio de Janeiro.

O tunisiano afirmou ter presenciado o uso e a distribuição de drogas no imóvel. Parte dos envolvidos era recrutada para transportar entorpecentes por ingestão ou introdução das substâncias no próprio corpo — prática conhecida como "mula". Os demais participantes também eram estrangeiros, segundo a polícia.

Recusa em transportar material desencadeou ameaças de morte

Há cerca de uma semana antes do registro do boletim, o homem relatou ter sido chamado a transportar um material cujo conteúdo não soube identificar. Ao recusar, passou a receber ameaças de morte e intimidações. Os suspeitos chegaram a mostrar imagens em que apareciam portando armas de fogo, o que intensificou o temor da vítima. Diante disso, ele deixou a residência e começou a planejar o retorno à Tunísia.

Na quarta-feira (23), foi até a lanchonete para receber valores pelo tempo trabalhado — dinheiro que pretendia usar para comprar a passagem de volta. No local, encontrou três homens, sendo dois com quem havia dividido a moradia. Segundo o relato à polícia, foi agredido com socos, chutes e um aparelho que emite choques elétricos.

Durante a agressão, o passaporte da vítima foi tomado pelo trio. Aproveitando um momento de distração dos suspeitos, o tunisiano conseguiu fugir e entrar em um ônibus. Um dos agressores o perseguiu e chegou a embarcar no coletivo, mas precisou descer por não ter dinheiro para pagar a passagem.

A vítima ainda tentou contato com dois dos agressores para recuperar o documento, sem sucesso.

Passaportes apreendidos; drogas e armas não foram encontradas

Após tomar conhecimento do caso, policiais civis prenderam dois dos três homens apontados como responsáveis pelas agressões e ameaças. Investigadores foram até o imóvel, mas não encontraram drogas ou armas no local.

Foram apreendidos os passaportes dos dois detidos, além do passaporte do dono da lanchonete — não citado como agressor. A polícia também recolheu uma máquina de cartão de crédito, uma porção de substância com características aparentes de maconha, dois aparelhos celulares e um notebook.

A vítima, que havia manifestado intenção de pedir asilo no Brasil, afirmou agora planejar o retorno o quanto antes à Tunísia, conforme registrado no boletim de ocorrência.

O caso foi registrado pela Polícia Civil como associação para o tráfico, resistência, desobediência, ameaça, constrangimento ilegal e lesão corporal.

Source: Google News BR — São Paulo

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