Candidatos ao Senado por SP debatem infiltração do PCC e milícias no poder público
Em debate promovido pelo g1, candidatos ao Senado por São Paulo discutiram o avanço do PCC, milícias e crime organizado nas instituições públicas.

PCC, milícias e corrupção institucional dominam debate ao Senado de SP
Em debate promovido pelo g1.globo.com na sexta-feira (25), candidatos ao Senado por São Paulo confrontaram propostas para conter a expansão do PCC, das milícias e a infiltração do crime organizado em órgãos públicos. Guilherme Derrite (PP) e André do Prado não compareceram ao evento.
Tebet: "O PCC já está dentro da prefeitura"
Simone Tebet (PSB) foi a candidata que fez as afirmações mais diretas. Ela declarou que o Primeiro Comando da Capital já se infiltrou no transporte coletivo da capital paulista e levantou suspeitas de envolvimento de integrantes da Secretaria da Segurança Pública com a facção — ligação que associou a um ex-comandante de Derrite.
"São Paulo não pode virar um Rio de Janeiro. O PCC já está aqui, já está dentro da prefeitura, no transporte coletivo", afirmou Tebet.
A candidata citou também a presença do Comando Vermelho no interior do estado e alertou para o avanço das milícias em São Paulo, descrevendo sua atuação por meio de controle territorial e cobrança ilegal de serviços.
Para Tebet, a penetração das organizações criminosas já alcançou câmaras municipais, assembleias legislativas e o Congresso Nacional. "O crime organizado e a milícia já chegaram nos poderes da República. Aqui em São Paulo e em Brasília", declarou. Em seguida, acrescentou: "A milícia não pode entrar pela porta da frente do Palácio do Governo."
Tebet defendeu integração entre forças de segurança e órgãos como a Receita Federal, com foco na prisão dos líderes das organizações e no bloqueio de suas fontes de financiamento. Ela também criticou problemas de saúde mental entre policiais militares e o déficit de efetivo na Polícia Civil paulista.
Marina Silva prioriza bloqueio patrimonial
Marina Silva (Rede) caracterizou o crime organizado como um fenômeno transnacional e defendeu resposta integrada entre União, estados, municípios e diferentes órgãos de controle.
A candidata citou a infiltração das facções em empresas, fintechs e postos de combustíveis, apontando a Operação Carbono Oculto como exemplo de ação coordenada para atacar o financiamento criminoso.
"Crime organizado precisa que a gente faça o bloqueio de bens, que a gente desmonte empresas criminosas e que a gente chegue no andar de cima", afirmou Marina.
Ela descreveu ainda como as organizações expandem sua influência nas periferias: recrutando jovens e adolescentes e assumindo o controle de serviços como internet e gás em áreas sob seu domínio. Ao encerrar o bloco, Marina enfatizou o risco da cumplicidade institucional.
"Principalmente quando tem essa promiscuidade entre poder público e criminosos", disse a candidata, defendendo o afastamento de agentes públicos com vínculos criminosos e apoio a prefeitos que enfrentam facções em seus municípios.
Soninha aposta em inteligência e integração policial
Soninha Francine (Cidadania) defendeu tecnologia, inteligência e integração entre polícias, Ministério Público e demais órgãos de investigação como eixo central do combate às organizações criminosas.
A candidata citou operações conjuntas das polícias estaduais com a Polícia Federal e o Gaeco que resultaram no desmantelamento de estruturas criminosas sem confrontos armados, argumentando que a inteligência reduz o risco para moradores de áreas dominadas por facções.
Soninha também apontou a infiltração do crime em setores da economia formal — transporte coletivo, coleta de lixo, combustíveis e fintechs usadas para lavagem de dinheiro — e afirmou que a corrupção dentro do Judiciário, do Ministério Público e do Legislativo dificulta o enfrentamento das facções.
Segundo ela, é necessário "combater a corrupção em todos os níveis da administração pública".
Rufino: Estado precisa chegar antes do crime
Geraldo Rufino (Podemos) propôs duas frentes simultâneas: asfixiar financeiramente as organizações criminosas e impedir que renovem seus quadros pelo recrutamento de jovens nas periferias.
O candidato afirmou que o Estado precisa oferecer escolas profissionalizantes, esporte e oportunidades de trabalho para adolescentes em situação de vulnerabilidade. "Nós precisamos chegar na comunidade, nas favelas, periferias, antes do crime", declarou Rufino.
Ausências marcam o debate
A não participação de Derrite e de André do Prado foi destacada pelo g1.globo.com durante a cobertura do evento. Derrite, ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo, foi citado nominalmente por Tebet em referência a suspeitas de envolvimento de integrantes de sua gestão com o PCC.
Source: Google News BR — São Paulo