Mulher de 22 anos vira ré por homicídio qualificado após morte de colega de apartamento em Ribeirão Preto

Amanda Carla da Silva foi denunciada pelo MP por matar Marcus Vinicius Gonçalves da Silva a facadas. Juíza manteve prisão preventiva e o julgamento segue em andamento.

Mulher de 22 anos vira ré por homicídio qualificado após morte de colega de apartamento em Ribeirão Preto

Justiça aceita denúncia contra mulher acusada de matar colega de apartamento a facadas em Ribeirão Preto

Conforme g1.globo.com, Amanda Carla da Silva, de 22 anos, tornou-se ré por homicídio qualificado pela morte de Marcus Vinicius Gonçalves da Silva, de 32, ocorrida na madrugada de 7 de setembro no apartamento que os dois dividiam em Ribeirão Preto (SP). A juíza Marta Rodrigues Maffeis, da 1ª Vara do Júri e das Execuções Criminais, recebeu a denúncia do Ministério Público na quarta-feira (23) e manteve a prisão preventiva da acusada na mesma decisão, incluída no processo na quinta-feira (24).

Marcus morreu com um ferimento no pescoço dentro do imóvel, na Rua Geraldo Rinhel Sobrinho. Amanda está presa desde o dia do crime.

Denúncia e qualificadoras

A denúncia foi apresentada em 18 de setembro pelo promotor Eliseu José Berardo Gonçalves. O Ministério Público afirma que Amanda atacou Marcus com uma faca e o atingiu no pescoço. A motivação, segundo a promotoria, ainda é desconhecida.

O MP apontou duas qualificadoras que tornam o crime mais grave: meio cruel, por entender que o ferimento causou sofrimento físico e psíquico desnecessário à vítima; e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, pois imagens de câmeras de segurança, segundo a promotoria, mostram Amanda circulando com a faca no corredor do condomínio antes do crime, surpreendendo Marcus.

O relatório policial reconhece que as imagens mostram Amanda saindo do apartamento com um objeto que aparenta ser uma faca, mas que não é possível identificá-lo de forma conclusiva.

Homicídio qualificado é crime hediondo, com pena prevista de 12 a 30 anos de prisão. O MP também solicita, em caso de condenação, que Amanda pague R$ 50 mil de indenização por danos morais à família de Marcus.

Versão da acusada

Em depoimento à Polícia Civil, Amanda admitiu ter desferido golpes de faca em Marcus, mas afirmou ter reagido a um ataque dele, que também estaria armado com uma faca.

Segundo seu relato, ela tinha saído de madrugada para encontrar um amigo. Ao voltar, encontrou Marcus sentado na cama do quarto dela, segurando uma faca. Disse que ele avançou na direção dela, que tentou empurrá-lo para fora do quarto e fechar a porta, sem êxito. Então, afirmou ter pegado uma faca que mantinha embaixo do travesseiro e desferido golpes, sem saber precisar quantos.

Amanda relatou que Marcus correu para a sala, voltou sangrando no pescoço e caiu. Após isso, segundo ela, começou a gritar por socorro.

O vigilante do condomínio e uma vizinha disseram à polícia ter encontrado Amanda ao lado de Marcus, tentando conter o sangramento com um pano e pedindo ajuda. Ambos afirmaram nunca ter presenciado discussões entre os dois.

Os policiais militares que atenderam a ocorrência, no entanto, relataram que Amanda, ainda no local, primeiro disse ter reagido a um ataque de Marcus e depois mudou a versão, afirmando que ele mesmo teria causado o ferimento.

Defesa e pedido de soltura negado

A defesa de Amanda sustenta que a dinâmica do caso ainda está sob investigação e destaca que ela não fugiu: permaneceu no local até a chegada da polícia e pediu socorro. Ao solicitar a revogação da prisão preventiva, as advogadas citaram o auto de prisão em flagrante, no qual o delegado registrou correspondência parcial entre a versão de Amanda e as duas facas encontradas, além de alguns vestígios de sangue no apartamento. O mesmo documento indica que não era possível reconhecer legítima defesa antes dos exames periciais.

"A dúvida quanto à dinâmica do fato não equivale à demonstração de periculosidade", argumentaram as advogadas. O pedido de revogação já havia sido negado anteriormente.

Ao manter a prisão preventiva, a juíza citou o golpe em região vital, as imagens que, segundo a polícia, mostram Amanda com objeto compatível com uma faca momentos antes do crime, as versões contraditórias apresentadas no local e uma lâmina que, conforme certidão policial mencionada nas decisões, Amanda levava escondida no sutiã ao entrar na cela.

A magistrada também fundamentou a decisão nos laudos periciais. O exame necroscópico apontou que Marcus morreu por ferimento penetrante no pescoço, sem lesões de defesa significativas. As lesões encontradas em Amanda são leves e, segundo a polícia, não configuram de forma inequívoca um padrão de defesa em confronto com faca.

Para a juíza, o fato de Amanda ser ré primária não afasta o risco à ordem pública. A prisão preventiva passará por nova revisão obrigatória em 5 de dezembro.

Relacionamento contestado

A denúncia afirma que os dois tinham um relacionamento havia cerca de dois meses. Amanda nega: disse em depoimento que morava com Marcus apenas para dividir despesas e que havia recusado um pedido de namoro dele. A família da vítima afirma que eles namoravam.

A juíza aceitou ainda que Ketlin Beatriz Silva de Jesus, irmã de Marcus, atue no processo como assistente de acusação, ao lado do Ministério Público.

Próximos passos

O recebimento da denúncia não implica condenação. A decisão indica que a Justiça identificou indícios suficientes para abertura da ação penal. Amanda será citada na Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu — para onde foi transferida em 10 de setembro, segundo ofício da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) — e terá 10 dias para apresentar a resposta à acusação.

Source: Google News BR — São Paulo

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