Homem condenado a 21 anos por matar vizinho com tábua de carne em Rio Claro (SP)

Hunberto Agustinho da Silva foi condenado a 21 anos e 8 meses de prisão por matar Marcio Jose Boer a pauladas e atear fogo no corpo da vítima.

Homem condenado a 21 anos por matar vizinho com tábua de carne em Rio Claro (SP)

Condenação a mais de 21 anos por homicídio qualificado em Rio Claro

Hunberto Agustinho da Silva foi condenado a 21 anos e 8 meses de prisão, em regime inicial fechado, pelo assassinato de Marcio Jose Boer, 46 anos, com golpes de tábua de cortar carnes. Conforme sentença proferida na terça-feira (22) pelo Tribunal do Júri de Rio Claro (SP), o réu não poderá recorrer em liberdade. O caso foi amplamente relatado por g1.globo.com.

O crime ocorreu na tarde de 8 de maio de 2025, em uma residência localizada na Rua 12, no bairro Santa Cruz. Hunberto foi preso em flagrante pela Guarda Civil Municipal (GCM) ainda no local.

Qualificadoras reconhecidas: motivo torpe, meio cruel e fraude processual

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) destacou que a sentença reconheceu a prática de fraude processual, além das qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A promotora de Justiça Maria Claudia Cruz de Oliveira descreveu que a conduta revelou "absoluto desprezo pela vida humana".

Segundo a denúncia, o crime ocorreu dentro da residência onde os dois moravam e habitualmente consumiam drogas. Após uma discussão, Hunberto exigiu que Marcio deixasse o imóvel e o ameaçou de morte. Diante da recusa, ele apoderou-se de uma tábua de madeira usada para cortar alimentos e desferiu múltiplos golpes contra a cabeça, o pescoço, o tórax e os membros da vítima.

Mesmo após Marcio estar gravemente ferido e incapacitado, o réu ateou fogo em parte do corpo dele, provocando queimaduras enquanto a vítima ainda apresentava sinais de vida, de acordo com o MP-SP.

Laudo aponta múltiplas fraturas e asfixia mecânica

O laudo necroscópico apontou múltiplas fraturas nas costelas, perfuração pulmonar e lesões no pescoço que provocaram asfixia mecânica. Também foram identificadas lesões de defesa nos braços e nas mãos da vítima, indicando tentativa de resistência à agressão.

A promotoria afirmou que Hunberto tentou alterar a cena do crime: arrastou o corpo para outro cômodo, lavou o local e removeu vestígios de sangue. O julgamento em plenário foi conduzido pelo promotor de Justiça Cássio Sartori.

GCM encontra réu limpando a cozinha no momento da prisão

Conforme o Boletim de Ocorrência, a GCM foi acionada e encontrou a vítima sem vida, com diversas lesões pelo corpo provocadas aparentemente por instrumento contundente e marcas de queimaduras. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou o óbito. Os agentes encontraram Hunberto lavando a cozinha e limpando portas e o quintal, que apresentavam manchas de sangue.

Segundo os guardas, Hunberto relatou inicialmente que vivia com a vítima há cerca de um mês na casa e que ambos consumiam drogas regularmente. Disse não saber o motivo da morte de Marcio e afirmou ter sido ele mesmo quem pediu a um vizinho para chamar socorro.

Após a saída dos socorristas do Samu, Hunberto voltou atrás e relatou aos GCMs o que realmente aconteceu. Segundo ele, Marcio havia consumido drogas — possivelmente cocaína ou crack — e ficou muito agitado. Em meio à discussão, ele pediu que Marcio deixasse a casa, sob ameaça de morte.

Como a vítima não atendeu ao pedido, Hunberto afirmou ter pegado a tábua de madeira da cozinha e desferido golpes na cabeça e no corpo com intenção de matar. Marcio ficou cambaleante, entrou em um banheiro externo e caiu na cozinha, já sem vida.

Hunberto disse ainda ter arrastado o corpo até uma cama antes da chegada do Samu e iniciado a limpeza das manchas de sangue, sem conseguir concluir a tarefa. A tábua utilizada no crime foi localizada sobre a pia da cozinha, com manchas de sangue visíveis.

Vítima havia recebido a casa como herança

Os guardas civis preservaram o local para a perícia da Polícia Científica. A irmã de Marcio compareceu ao local e informou que ele havia recebido o imóvel como herança. Ela disse que o irmão era usuário de drogas e que desconhecia que outras pessoas moravam na casa, pois não o visitava há cerca de quatro meses. Ela não conhecia Hunberto.

Preso em flagrante, o agressor foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro do Estádio e, em seguida, encaminhado ao Plantão Policial. Hunberto não respondeu perguntas, declarou que só falaria na Justiça e que não assinaria nenhum documento. Foi recolhido ao Setor Carcerário da Delegacia Seccional de Polícia de Rio Claro. O corpo de Marcio foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) local.

A defesa de Hunberto não foi localizada pelo g1.globo.com até o fechamento desta reportagem.

Source: Google News BR — São Paulo

Read this article in English