Inquérito aberto contra testemunha de morte de auditor fiscal baleado em Franca (SP)

A Polícia Civil confirmou a abertura de inquérito para investigar testemunha no caso do auditor Adriano Oliveira, morto a tiro pelo dentista Samir Moussa em março.

Inquérito aberto contra testemunha de morte de auditor fiscal baleado em Franca (SP)

Polícia investiga testemunha no assassinato de auditor fiscal em Franca

A Polícia Civil de Franca (SP) confirmou, nesta quinta-feira (29), a instauração de um inquérito criminal para investigar uma testemunha ligada ao assassinato do auditor fiscal Adriano Willian de Oliveira, baleado em março deste ano. Segundo g1.globo.com, a decisão atende a um pedido do juiz José Rodrigues Arimatéa.

O magistrado havia expedido, no dia 21 de setembro, um novo mandado de prisão preventiva contra o dentista Samir Panice Moussa — principal réu no processo. Na ocasião, Arimatéa indicou suspeitas de que Moussa sabia com precisão onde a vítima se encontrava no momento do crime e que manteve contacto telefónico com uma mulher antes e depois do disparo.

"O facto de o acusado saber onde estava a vítima no momento do crime, se aquele encontro não foi casual, havendo somente uma resposta possível, ou seja, alguém informou ao acusado onde estava a vítima", escreveu o juiz no despacho.

Registo de chamadas aponta conluio

O juiz fundamentou as suspeitas nos registos de bilhetagem dos telemóveis da vítima, do acusado e da testemunha. Os dados mostram que a mulher manteve contacto telefónico com Adriano e com Moussa nos momentos anteriores ao crime e que, após o homicídio, voltou a falar com o dentista.

"A suspeita se avultou quando vieram aos autos o registo da bilhetagem dos telefones celulares da vítima, do acusado e da testemunha, dando conta que algum conluio houve", afirmou Arimatéa.

O magistrado acrescentou ainda que Moussa terá declarado, em ata de visita correicional à Penitenciária de Franca, que mataria essa mesma testemunha. Para Arimatéa, caso o dentista fosse solto, acusado e testemunha poderiam combinar versões para enganar o tribunal. A testemunha permanece em liberdade. O g1.globo.com indicou tentar localizar a defesa da mulher na manhã desta quinta-feira.

STJ autorizou solta, mas juiz emitiu novo mandado

Moussa está preso desde 12 de março, data em que confessou o crime, de acordo com a Polícia Militar. No final desse mesmo mês, a Justiça tornara o dentista réu por homicídio qualificado.

O novo mandado de prisão preventiva surgiu na sequência de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que havia autorizado a soltura do réu por falta de fundamentação para a detenção. A Sexta Turma do STJ permitiu, porém, que o juiz de primeira instância solicitasse nova prisão preventiva desde que devidamente justificada — o que Arimatéa fez de imediato.

No despacho, o magistrado argumentou que Moussa precisa de permanecer detido para garantir a correcta instrução criminal, citando além dos contactos com a testemunha uma simulação de suicídio ocorrida na prisão. "A prisão preventiva do acusado é necessária para garantir a correta instrução criminal, inclusive em plenário, e garantir a aplicação da lei penal, porém, baseada na verdade mais próxima possível do real", expediu Arimatéa.

Crime gravado por câmeras de segurança

O assassinato ocorreu nas proximidades de um bar na Avenida Major Nicácio, em Franca. Imagens das câmeras de segurança captaram o momento em que Adriano entrou numa caminhonete branca estacionada em frente a um estabelecimento comercial. De seguida, Moussa aproximou-se, abriu a porta do veículo, efectuou os disparos e fugiu a pé.

Os tiros atingiram o tórax e a cabeça de Adriano, que morreu no local. O promotor Odilon Nery Comodaro afirmou, na denúncia à Justiça, que a acção do dentista dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima, uma vez que Oliveira foi apanhado de surpresa.

Com base nas imagens, a Polícia Militar identificou e deteve Moussa. Segundo a PM, o dentista confessou o crime e indicou ainda o local onde escondia a arma utilizada, que foi apreendida.

Versões divergentes sobre o móbil

A Polícia Militar indicou que Moussa agiu motivado por ciúmes da ex-mulher, de quem estava separado há cerca de um ano e que mantinha um relacionamento com Adriano. De acordo com a polícia, a vítima havia registado uma queixa contra o suspeito por perseguição no final de 2021.

A advogada de defesa, Linda Luiza Johnlei Wu, contestou essa versão. Segundo Wu, o dentista alegou ser ele próprio quem era ameaçado e perseguido por Adriano, que não aceitava as tentativas de reconciliação do casal. A advogada acrescentou que Moussa não chegou a formalizar queixa, pois as alegadas ameaças terão começado apenas no final do ano passado.

Source: RTP

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