Mary Hellen, brasileira condenada por tráfico na Tailândia, retorna ao Brasil

Presa em 2022 no aeroporto de Bangkok com 9 kg de cocaína, Mary Hellen cumpriu pena de 9 anos e 6 meses e voltou ao país para reconstruir a vida com a família.

Mary Hellen, brasileira condenada por tráfico na Tailândia, retorna ao Brasil

Brasileira condenada por tráfico na Tailândia está de volta ao Brasil

Mary Hellen Coelho Silva, presa no aeroporto de Bangkok em fevereiro de 2022 com cerca de nove quilos de cocaína escondidos em malas, retornou ao Brasil após cumprir parte de sua pena de 9 anos e 6 meses por tráfico internacional de drogas. Segundo g1.globo.com, a advogada de defesa Kaelly Cavoli Moreira confirmou que a jovem está recomeçando a vida ao lado da família.

Antes da prisão, Mary Hellen vivia em Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais, onde trabalhava com carteira assinada em uma churrascaria, vendia bolos com a irmã e morava com a mãe e os quatro irmãos. Nascida no Rio de Janeiro em setembro de 2000, ela tinha 21 anos quando foi detida.

A prisão em Bangkok

Em 14 de fevereiro de 2022, Mary Hellen foi flagrada no aeroporto de Bangkok acompanhada de Ricardo de Almeida da Rosa, então com 26 anos. Os dois carregavam aproximadamente nove quilos de cocaína em compartimentos ocultos de três malas. Horas depois, um terceiro brasileiro foi preso com outros seis quilos da droga. Ao todo, as autoridades tailandesas apreenderam cerca de 15 quilos de cocaína.

Antes de embarcar, Mary Hellen havia pedido demissão do emprego e viajado de Pouso Alegre a Curitiba, de onde seguiu para a Tailândia. Familiares afirmaram não saber do destino real da viagem.

O que a família e amigos sabiam

A irmã de Mary Hellen, Mariana Coelho, declarou ao g1 na época que acreditava que a jovem fosse a Curitiba, possivelmente para encontrar um namorado. A amiga Angelique Sanches disse que aquela era a primeira viagem internacional de Mary Hellen e que conhecia apenas o hábito da jovem de viajar pelo Brasil.

Tanto familiares quanto pessoas próximas expressaram a crença de que Mary Hellen pode ter sido enganada ou induzida a transportar a droga. Na época da prisão, ela havia retomado os estudos e fazia aulas de autoescola na cidade.

"Ela jamais iria para um lugar onde há pena de morte. Ela não iria arriscar tudo por isso. Se ela tivesse ciente de onde iria, ela não teria ido. E se eu soubesse, não teria deixado ela ir", disse Angelique.

Condenação e pena

Em 11 de maio de 2022, a Justiça tailandesa condenou Mary Hellen a 9 anos e 6 meses de prisão. Segundo informações divulgadas pela defesa à época, a pena foi dividida em dois anos por um crime civil e sete anos e seis meses por um crime penal.

O caso gerou atenção no Brasil sobretudo pela severidade da legislação tailandesa sobre drogas. Dependendo da quantidade apreendida e das circunstâncias, o tráfico de entorpecentes pode ser punido com pena de morte no país asiático.

Durante a detenção, Mary Hellen recebeu benefícios que reduziram a pena. A defesa também informou que uma multa de 750 mil bahts — equivalente a aproximadamente R$ 105 mil na cotação da época — foi perdoada.

Após a prisão, a irmã Mariana recebeu um áudio de Mary Hellen em que a jovem pedia ajuda para tentar responder pelo crime no Brasil.

Dificuldades durante a detenção

Em abril de 2026, a advogada Kaelly Cavoli Moreira relatou dificuldades para manter contato com a cliente e obter informações sobre sua situação. Segundo a defesa, as chamadas de vídeo intermediadas pela Embaixada brasileira em Bangkok haviam sido interrompidas, e a assistência consular foi criticada.

O Ministério das Relações Exteriores, consultado pelo g1, informou que a Embaixada do Brasil em Bangkok acompanha o caso desde 2022 e prestou assistência consular à brasileira dentro das legislações nacional e internacional. O Itamaraty acrescentou que, por respeito à privacidade dos cidadãos, não divulga informações pessoais nem detalhes da assistência prestada.

Perdas e recomeço

Durante o período em que esteve presa na Tailândia, Mary Hellen perdeu a mãe e o avô. A defesa destacou as dificuldades que a jovem enfrentou para manter vínculos com a família a distância.

Agora de volta ao Brasil, Mary Hellen tenta reconstruir a vida. Antes da prisão, ela e a irmã Mariana planejavam profissionalizar o negócio de bolos da família e abrir uma loja juntas.

Source: Google News BR — Crime

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