Operação Cavalo de Troia mira fraude em licitação de R$ 5,2 bi em Bauru

O GAECO/MPSP cumpriu 20 mandados de busca e 7 prisões temporárias em Bauru por suspeita de fraude na maior licitação da cidade, avaliada em R$ 5,2 bilhões.

GAECO deflagra operação contra esquema de fraude em concessão bilionária de resíduos em Bauru

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado de São Paulo deflagrou, na quarta-feira (9/7), a Operação Cavalo de Troia para desarticular um suposto esquema de direcionamento de licitação na concessão do sistema integrado de gestão de resíduos sólidos urbanos do município de Bauru. Segundo mpsp.mp.br, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão e sete de prisão temporária, além de afastamento de servidores públicos, sequestro de bens, medidas cautelares diversas e suspensão judicial dos contratos e do próprio processo licitatório.

Em paralelo, as autoridades realizaram diligências na chamada Operação Mobius, voltada a irregularidades em um contrato de coleta seletiva do mesmo município.

Secretária como "cavalo de troia" da iniciativa privada

O nome da operação faz referência à estratégia central identificada pelos investigadores: a inserção, no interior da administração municipal, de uma servidora com vínculos profissionais e econômicos com a empresa privada beneficiada pelo suposto direcionamento. A partir dessa posição, interesses privados teriam influenciado a formatação e a condução do procedimento licitatório, permitindo que decisões formalmente públicas fossem preparadas em articulação com representantes empresariais. O GAECO identificou ainda, na mesma secretaria, outra profissional anteriormente vinculada à empresa investigada.

Maior contratação da história de Bauru

O contrato tem previsão de durar 30 anos, com valor global estimado em R$ 5.259.651.116,06 — calculado com base em valores de fevereiro de 2026. Trata-se da maior contratação pública já projetada na história de Bauru. A dimensão econômica e a longa duração tornam especialmente graves os indícios de captura da licitação por interesses privados, segundo o GAECO.

Os elementos reunidos na investigação indicam que a fraude não se restringia à inserção de uma cláusula restritiva no edital. O esquema teria sido construído em camadas: desde a concepção da concessão e a elaboração dos estudos técnicos até a definição dos critérios de habilitação e pontuação, passando pela contratação de consultorias e pela preparação de documentos oficiais. O objetivo era garantir vantagem indevida à empresa investigada e eliminar a concorrência.

Núcleo com agentes públicos, empresários e intermediários

As apurações identificaram um núcleo composto por agentes públicos, dirigentes e funcionários de empresa privada, consultores e intermediários, com divisão de funções e atuação coordenada. Há indícios de pagamentos e vantagens indevidas, circulação reservada de documentos e interferência na elaboração de manifestações administrativas.

A investigação revelou ainda uma tentativa de expansão do esquema para a neutralização de mecanismos de controle. Os suspeitos chegaram a levantar informações pessoais de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo supostamente responsável pela relatoria de procedimento naquele órgão. Comunicações interceptadas apontam planos de aproximação e infiltração em instituições públicas para obtenção de informações privilegiadas e eventual oferta de vantagens indevidas.

Segundo a investigação, essas ações integram uma arquitetura mais ampla de influência e possível corrupção de agentes públicos, inclusive em projetos de outros municípios com valores também na casa dos bilhões.

Crimes investigados e autorização judicial

A operação visa aprofundar a apuração dos crimes de fraude ao caráter competitivo da licitação, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa, entre outros que possam ser identificados. As medidas foram autorizadas pela Vara Regional das Garantias da 3ª Região Administrativa Judiciária de Bauru e têm por objetivo preservar provas, rastrear pagamentos e determinar a participação individual de cada investigado. O GAECO contou com o apoio da Polícia Militar e do Tribunal de Contas do Estado para o cumprimento dos mandados.

Source: Google News BR — São Paulo