Operação Escola de Papel: fraude em contratos de obras em escolas do RJ chega a R$ 20 milhões
Polícia Civil e MP do RJ cumprem 19 mandados contra esquema de superfaturamento em obras escolares. Bloqueio de bens pode alcançar quase R$ 20 milhões.

Operação mira fraude milionária em contratos de obras em escolas estaduais do Rio
A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro deflagraram nesta quinta-feira (1º) a Operação Escola de Papel, voltada a investigar um suposto esquema de fraudes em contratos de obras na rede estadual de ensino fluminense. Segundo agenciabrasil.ebc.com.br, são cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em municípios como Rio de Janeiro, Niterói, Cabo Frio e Arraial do Cabo. A Justiça autorizou o bloqueio de bens de investigados em valores que podem chegar a quase R$ 20 milhões.
As apurações da Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro apontam indícios de direcionamento de contratos, superfaturamento e desvio de recursos públicos. Um mecanismo criado para agilizar pequenos reparos emergenciais teria sido explorado para contratar obras de grande porte sem licitação.
A análise de contratos e o cruzamento de dados financeiros e patrimoniais identificaram empresas que, embora figurassem como concorrentes, teriam operado de forma coordenada. As investigações também encontraram suspeitas de propostas previamente combinadas e falhas na fiscalização dos serviços executados.
Uma das empresas investigadas recebeu cerca de R$ 11,8 milhões em recursos públicos. Desse montante, quase R$ 10 milhões teriam sido sacados em espécie. Em janeiro deste ano, a Polícia Civil apreendeu R$ 500 mil logo após um saque realizado pelo administrador de uma dessas empresas em uma agência bancária de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A ação foi desencadeada por alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
De acordo com os investigadores, um empresário seria o responsável por organizar propostas, controlar a conta utilizada para receber pagamentos e participar das retiradas dos valores. Há ainda indícios de transferências entre empresas e de repasses a pessoas ligadas a servidores públicos.
Parte dos recursos pode ter sido convertida em patrimônio privado. Entre os bens identificados estão imóveis em Cabo Frio e Niterói, além de patrimônio estimado em mais de R$ 32 milhões e uma frota de cerca de 60 veículos vinculados a um dos investigados.
A Polícia Civil agora verifica se o mesmo modelo foi replicado em outros contratos. Mais de R$ 1,6 bilhão em obras contratadas por procedimentos simplificados estão sob auditoria. As investigações prosseguem para rastrear o destino dos recursos e identificar os responsáveis.
Source: Google News BR — Crime