Policial civil preso por sequestro com viatura falsa na Zona Leste de SP
Rafael Juergen Schult foi detido pela Corregedoria após ser identificado em câmeras agredindo e sequestrando vítima colocada no porta-malas. A vítima segue desaparecida.

Policial civil detido por sequestro com carro que imitava viatura em Artur Alvim
A Corregedoria da Polícia Civil prendeu na quinta-feira (24) o investigador Rafael Juergen Schult, suspeito de participar da agressão e do sequestro de um homem na Zona Leste de São Paulo, conforme reportou g1.globo.com. A vítima foi algemada e colocada no porta-malas de um carro que simulava uma viatura policial descaracterizada — e permanece desaparecida.
Schult compareceu à sede da Corregedoria acompanhado de advogados, onde foi efetivada a prisão temporária determinada pela Justiça. "O preso será encaminhado ao Presídio da Polícia Civil e permanecerá à disposição da Justiça para audiência de custódia. As investigações prosseguem sob sigilo decretado pelo Poder Judiciário", informou a Secretaria da Segurança Pública (SSP).
O investigador já havia sido identificado por câmeras de segurança como um dos envolvidos na ação. Em agosto, equipes da Corregedoria cumpriram mandado de busca e apreensão em sua residência, mas ele não estava no endereço. Durante as diligências, os investigadores localizaram o carro preto utilizado pelo grupo. Na casa dos pais de Rafael, foram encontradas cédulas falsas e dinheiro em espécie que, segundo as investigações, possivelmente seriam usados para a compra de drogas.
Segundo policial preso e dois foragidos
No dia 22 de agosto, a Corregedoria havia prendido o policial civil Milton Massaru Nakayama. Na residência dele, os agentes apreenderam um Corsa vermelho particular equipado com luzes e sirenes semelhantes às de uma viatura descaracterizada. Os investigadores ainda avaliam se o veículo foi usado na noite do sequestro.
Além de Nakayama e Rafael, a Justiça decretou as prisões de Gustavo Schultz, irmão do investigador Rafael, e de um homem apontado como informante policial. Os dois não foram localizados até o fechamento desta reportagem.
O ataque registrado pelas câmeras
O crime ocorreu na madrugada de agosto em uma travessa da Rua Inês Monteiro, em Artur Alvim. Três câmeras de monitoramento registraram toda a sequência dos eventos.
As imagens mostram que, por volta das 22h20, um grupo de seis homens conversava encostado em um muro. Minutos depois, um jovem de blusa azul foi atacado de surpresa por dois homens armados. Segundo a polícia, houve luta corporal e tiros foram disparados durante a briga.
Às 22h23, um carro preto parou no local. O veículo exibia luzes semelhantes a um giroflex no para-brisa e na grade, imitando uma viatura policial. O motorista desceu e também passou a agredir a vítima.
Em seguida, outros dois homens se aproximaram vestindo roupas pretas e carregando objetos semelhantes a distintivos. Um deles portava um fuzil. O rapaz foi algemado e empurrado para dentro do porta-malas. Parte do grupo fugiu no veículo; um dos envolvidos deixou o local a pé.
Nenhuma operação estava prevista para a região
Quando a Polícia Militar chegou ao endereço, encontrou manchas de sangue e estojos vazios de munição calibre 5.56, usada em fuzis. Um celular também foi apreendido no local.
A Polícia Civil confirmou que nenhuma operação estava programada para aquela região naquela noite. Os envolvidos tampouco solicitaram apoio policial para preservar a cena, procedimento padrão exigido em abordagens legítimas.
A placa do veículo utilizado foi identificada, mas não consta em nenhum registro — nem mesmo como pertencente a uma viatura oficial. A polícia ainda buscou a vítima em hospitais da região, sem localizar nenhum homem baleado internado nas unidades de saúde.
A SSP afirmou, em nota anterior, que todas as circunstâncias do caso estão sendo investigadas e que diligências continuam para identificar os demais envolvidos, localizar a vítima e esclarecer o crime. A defesa dos investigados declarou anteriormente à TV Globo que os fatos seriam esclarecidos, sem informar se Rafael pretendia se entregar.
Source: Google News BR — São Paulo