Policial penal preso por suspeita de feminicídio em Cajamar após morte de professora
Aline Bugni, 31, foi encontrada morta com um tiro na cabeça em casa. Marido, policial penal, alega suicídio; polícia investiga feminicídio.

Policial penal investigado por morte de esposa em Cajamar
Conforme reportou g1.globo.com, o policial penal Felipe Bugni, de 40 anos, foi preso em flagrante na noite de domingo (27) após a morte de sua esposa, a professora Aline Bugni, de 31 anos, em Cajamar, na Grande São Paulo. Aline foi encontrada caída no quarto do casal, com um tiro na cabeça. Uma arma foi localizada embaixo da cama.
Felipe foi detido não por suspeita direta de homicídio — a morte foi registrada como "morte suspeita" —, mas por agredir e ameaçar o irmão e o pai de Aline no local. A principal hipótese investigada pela Polícia Civil é a de feminicídio.
"Ele tinha um ciúme possessivo dela"
Tiago Santos, de 36 anos, irmão de Aline, prestou depoimento à Polícia Civil e à TV Globo descrevendo o comportamento do cunhado. "Ele tinha um ciúme possessivo dela. Até quando ela chegava do serviço, ele ia no ponto de ônibus buscar ela. Ele é abusivo, é um cara briguento. Ele já brigou com a rua inteira, ele já ameaçou todo mundo da rua", declarou Tiago.
Os familiares relataram que Aline já havia manifestado desejo de se separar devido ao comportamento agressivo de Felipe, mas tinha medo de tomar essa decisão. "Ela não largava dele porque ela tinha medo de morrer. E aconteceu. Infelizmente aconteceu", disse o irmão. Segundo ele, Felipe também impedia Aline de manter contato com a própria família.
"Minha irmã sempre prezou pela vida. Minha irmã, ela trabalhava, ela amava a filha dela", acrescentou Tiago. Os parentes negaram categoricamente que a professora tivesse qualquer intenção de se matar.
Versão do suspeito e investigação pericial
Na delegacia, Felipe alegou que a esposa tirou a própria vida com uma das duas armas que ele mantinha na residência. Afirmou estar em outro cômodo quando ouviu um barulho e encontrou Aline caída e sangrando. O policial penal permaneceu em silêncio sobre a morte da mulher durante o interrogatório, mas negou ter cometido violência psicológica e disse manter bom relacionamento com ela.
Quando os agentes chegaram ao imóvel, Felipe declarou que queria se matar com a arma que estava sob a cama, sendo contido pelos policiais. A defesa do investigado não havia se manifestado até o fechamento da reportagem.
Para confirmar ou descartar a hipótese de feminicídio, a investigação aguarda os resultados dos exames periciais. O Instituto de Criminalística (IC) realizou exames residuográficos para verificar a presença de pólvora nas mãos de Felipe e nas de Aline. O Instituto Médico Legal (IML) conduziu exame necroscópico para determinar a causa da morte. Duas pistolas pertencentes ao policial penal foram apreendidas, assim como dois celulares para análise.
Criança estava em casa no momento do disparo
A filha do casal, de 6 anos, também estava na residência quando o tiro foi disparado. Segundo o boletim de ocorrência, a criança não presenciou o ocorrido, mas ouviu o barulho, entrou no quarto e encontrou a mãe morta. Em seguida, chamou o avô materno, José dos Santos, de 65 anos, que mora em uma casa no mesmo terreno. Foi José quem acionou as autoridades.
Episódios anteriores na noite do crime
Horas antes da morte de Aline, José já havia chamado a Guarda Civil Municipal (GCM). Ele relatou que Felipe havia jogado spray de pimenta contra a porta e a janela de sua residência. Os guardas compareceram ao endereço, orientaram os envolvidos e se retiraram.
Posteriormente, José afirmou ter ouvido o genro dizer a Aline e à filha que ele teria "os piores pesadelos da sua vida". Em seguida, Felipe ligou o som em alto volume. Pouco depois, a neta foi até o avô informar que a mãe estava morta.
Agressões após a morte
Depois que as autoridades foram acionadas, Tiago e José relataram ter sido agredidos a socos no rosto por Felipe, enquanto os agentes da Polícia Militar ainda estavam presentes no imóvel. "Ele bateu num senhor de quase 70 anos. Eu peço que seja feita a justiça. Não é porque ele é policial que ele é melhor do que ninguém", disse Tiago à TV Globo.
O irmão de Aline afirmou ainda que ele e o pai foram ameaçados de morte por Felipe. Segundo Tiago, o policial penal proferiu frases como "Eu vou te matar, seu lixo" e "não quero esse lixo dentro da minha casa".
Felipe apresentou versão divergente sobre as agressões ao sogro. Afirmou que José o chamou de assassino e o agrediu primeiro, e que ele apenas revidou. Negou também tê-lo ameaçado.
Prisão mantida sem fiança
A Polícia Civil não arbitrou fiança para Felipe. Segundo o despacho, a soma das penas dos crimes flagrados ultrapassa quatro anos de reclusão. O indiciamento por feminicídio depende da conclusão dos laudos periciais, que ainda não foram divulgados.
Source: Google News BR — São Paulo