Sobrevivente de queda de helicóptero em Iaras preso com vínculo ao PCC e sequestro de advogado

Paulo Cézar Silva dos Santos, foragido desde agosto, foi preso após ser resgatado de mata em Iaras (SP) e é investigado por sequestro, tortura e tráfico.

Sobrevivente de queda de helicóptero em Iaras preso com vínculo ao PCC e sequestro de advogado

Foragido do PCC resgatado em mata após queda de helicóptero com certificado vencido

Um dos sobreviventes da queda de um helicóptero em área de mata fechada em Iaras (SP), no domingo (20), tem ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e participação no sequestro de um advogado em Cubatão, na Baixada Santista. A informação foi confirmada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Santos à TV TEM, conforme relata g1.globo.com.

O homem identificado é Paulo Cézar Silva dos Santos, conhecido como "Testinha". Ele estava foragido desde 12 de agosto, quando escapou da Operação Patrocínio Fiel — ação que terminou com a morte de um integrante da facção. Contra Paulo pesavam mandados de prisão em aberto por extorsão mediante sequestro, tortura e organização criminosa.

Após ser socorrido na mata, Paulo apresentou uma identidade falsa às autoridades. A verificação policial revelou que ele também era procurado por tráfico de drogas e roubo, resultando em sua prisão imediata. Em audiência de custódia realizada na segunda-feira (22), a prisão em flagrante foi convertida em preventiva. A TV TEM não conseguiu contato com a defesa do acusado.

Guaranis paraguaios a bordo levantam suspeita de fuga

No interior da aeronave, os agentes encontraram cerca de 300 mil guaranis, moeda do Paraguai, equivalentes a aproximadamente R$ 257,50. A apreensão levou a polícia a considerar a hipótese de que Paulo Cézar tentava deixar o país. O Gaeco informou que os dados já foram repassados à Delegacia Seccional de Avaré (SP), responsável pela investigação do acidente.

O sequestro do advogado em Cubatão

O advogado criminalista Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, foi sequestrado e mantido refém por cerca de seis horas em um "tribunal do crime" do PCC em Cubatão, em junho deste ano. O episódio ocorreu após ele ajuizar um processo contra uma empresa controlada pelo suposto integrante da facção Wagner Rodrigues dos Santos.

O empreendimento, localizado no Guarujá (SP), era de interesse do grupo por ocupar 440 m² em área portuária e contar com três barcos pesqueiros, duas câmaras frigoríficas, três máquinas de limpar camarão e uma de fabricar gelo.

Em vez de ser orientado a registrar boletim de ocorrência, Rafaell foi instruído a encontrar Wagner em uma comunidade. "No trajeto, eu percebi que estava numa fria. Só que eu só tive certeza quando eu cheguei no barraco e eu vi que era um tribunal do crime", relatou o advogado. Ele ficou detido das 19h à 1h da madrugada, submetido a tortura psicológica por cerca de 30 pessoas. Wagner e outros criminosos participavam do "julgamento" por videochamada. Rafaell foi liberado após prometer desistir da ação judicial.

O caso motivou a Operação Patrocínio Fiel. José Armerindo Santos de Carvalho, conhecido como "Pio" e "Boqueta", morreu em confronto com policiais militares em São Vicente (SP). Outros três homens foram presos durante o cumprimento de mandados em Praia Grande (SP).

Helicóptero com documentação irregular

A aeronave havia saído de Guararema (SP) com destino a Londrina (PR) e caiu a cerca de 360 km do ponto de partida. As três vítimas — piloto, copiloto e passageiro — perderam os celulares no impacto, mas conseguiram acionar socorro por meio de um tablet com bateria quase descarregada.

Os três foram encontrados conscientes, com dores e ferimentos. O piloto apresentava o quadro mais grave: ferimentos nos membros inferiores, na região da bacia e fortes dores na coluna. Foi retirado do local por volta das 10h30. O copiloto tinha suspeita de fraturas nos membros inferiores e dores na coluna. O passageiro — identificado posteriormente como Paulo Cézar — permanecia dentro da aeronave e foi a última vítima resgatada, por volta das 12h30.

Os três foram levados ao pronto-socorro de Avaré, onde permaneceram internados sob escolta após a polícia identificar a situação de Paulo Cézar.

A aeronave, de prefixo PT-YBL, é um helicóptero bimotor Agusta A109C, com capacidade para seis pessoas, fabricado pela italiana Agusta — atualmente incorporada à Leonardo S.p.A. O Certificado de Aeronavegabilidade estava cancelado, e o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade encontrava-se vencido desde maio de 2019, segundo o cadastro da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O registro da Anac aponta ainda três restrições sobre a aeronave: ordem judicial que impede sua transferência, operador em inventário e proprietário falecido. O helicóptero estava cadastrado apenas para operação privada, sem autorização para táxi-aéreo, transporte regular, serviços especializados ou voos de instrução.

Source: Google News BR — São Paulo

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