Sobrevivente de queda de helicóptero em Iaras (SP) preso com três mandados em aberto

Um dos sobreviventes do acidente aéreo em Iaras (SP) foi preso no hospital após usar identidade falsa e ser identificado como foragido por tráfico e roubo.

Sobrevivente de queda de helicóptero em Iaras (SP) preso com três mandados em aberto

Passageiro foragido é detido no PS de Avaré após queda de helicóptero em mata fechada

Um dos três ocupantes do helicóptero que caiu em área de mata em Iaras, no interior de São Paulo, na madrugada de domingo (20), foi preso no Pronto-Socorro de Avaré após policiais descobrirem que ele apresentara uma identidade falsa e que havia três mandados de prisão em aberto contra ele. Conforme reportado por g1.globo.com, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado confirmou a detenção nesta segunda-feira (21).

O homem, de 44 anos, é procurado pela Justiça por dois crimes de tráfico de drogas e um de roubo. Os mandados foram cumpridos dentro da própria unidade médica e a ocorrência foi comunicada ao Poder Judiciário.

Investigação descobre identidade verdadeira no hospital

Durante as diligências para identificar os feridos internados, a equipe policial percebeu que o passageiro havia fornecido um nome falso. As verificações subsequentes revelaram a identidade real do paciente e os três mandados de prisão em aberto registrados contra ele.

O caso foi registrado na Polícia Civil de Avaré como atentado contra a segurança de transporte aéreo e é investigado em conjunto pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da cidade.

Resgate na madrugada após contato por tablet

A aeronave havia decolado de Guararema (SP) com destino a Londrina (PR). O acidente ocorreu na madrugada de domingo, e por volta das 0h45 um dos ocupantes entrou em contato com o Corpo de Bombeiros para informar a queda. As vítimas tinham perdido os celulares no impacto, mas conseguiram realizar a ligação por meio de um tablet com a bateria quase descarregada, fornecendo também coordenadas aproximadas do local.

Equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar iniciaram as buscas ainda durante a madrugada. As três vítimas foram encontradas conscientes e orientadas, mas com dores e ferimentos causados pelo impacto.

O piloto apresentava o quadro mais grave — fraturas nos membros inferiores, na região da bacia e fortes dores na coluna — e foi o primeiro a ser retirado da mata, por volta das 10h30. O copiloto, que também relatou dores na coluna e suspeita de fraturas nos membros inferiores, foi resgatado em seguida. O passageiro, que permanecia dentro da aeronave, foi a última vítima a ser retirada, por volta das 12h30. Os três foram transportados de helicóptero até o ponto de apoio das equipes de resgate e, em seguida, levados ao Pronto-Socorro de Avaré. A SSP informou que todos permanecem internados sob escolta e sofrem fraturas graves.

Helicóptero com certificados vencidos e restrições judiciais

A aeronave, de prefixo PT-YBL, é um Agusta A109C, helicóptero bimotor fabricado pela empresa italiana Agusta — atualmente integrada à Leonardo S.p.A. O modelo, que entrou em serviço em 1976 e tem capacidade para seis pessoas, pode ser utilizado em transporte, evacuação médica, busca e resgate e operações militares.

Os registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que o Certificado de Aeronavegabilidade (CA) da aeronave estava cancelado e que o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) — documento relativo à verificação periódica das condições do aparelho — estava vencido desde maio de 2019. O motivo da restrição registrado pela Anac é justamente o vencimento do CVA.

O cadastro da agência lista ainda três restrições adicionais sobre a aeronave: uma ordem judicial que impede a sua transferência, um operador em situação de inventário e um proprietário falecido. O tipo de operação registrado é privado, e o helicóptero não possuía autorização para táxi-aéreo, transporte aéreo regular, serviços aéreos especializados ou voos de instrução.

FAB realiza ação inicial de investigação

Em nota à TV TEM, a Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Cenipa, informou que investigadores do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA IV) foram acionados para apurar a ocorrência. Os investigadores realizaram a chamada Ação Inicial, etapa em que são coletadas informações sobre o caso, verificados os danos na aeronave e reunidos dados que possam esclarecer o que ocorreu.

Os elementos levantados nessa fase serão utilizados nas etapas seguintes da investigação, que busca identificar possíveis fatores contribuintes para o acidente e, se necessário, propor medidas de segurança para evitar novas ocorrências. A TV TEM também solicitou informações à Anac, que ainda não respondeu até o fechamento da reportagem.

Source: Google News BR — São Paulo

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