Três candidatos suspeitos de ligação com crime organizado são eleitos no RJ e SP

Dois deputados federais e um estadual eleitos no Rio e em São Paulo figuram entre 30 postulantes questionados pela Justiça Eleitoral por suspeitas de vínculos com o crime organizado.

Três candidatos suspeitos de ligação com crime organizado são eleitos no RJ e SP

Três candidatos suspeitos de vínculos com o crime organizado vencem eleições no RJ e em SP

Conforme www1.folha.uol.com.br, três candidatos que foram questionados pela Procuradoria-Geral Eleitoral ou pela Justiça Eleitoral por suspeitas de ligação com o crime organizado conseguiram se eleger nas eleições deste ano — dois como deputados federais e um como deputado estadual. Os três integram uma lista de 30 postulantes de todo o país que tiveram seus registros contestados por essas suspeitas.

Ney Santos eleito deputado federal por São Paulo

O ex-prefeito de Embu das Artes (SP) Ney Santos, do Republicanos, obteve 118,5 mil votos e conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados. Santos foi alvo de investigação pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo por suspeitas de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital) em um suposto esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas em postos de combustíveis.

Em 2016, Santos ficou foragido após ter a prisão decretada. A defesa afirma que o MP-SP tenta vincular o ex-prefeito à facção "de forma leviana" e que "todas as imputações feitas pelo Ministério Público foram investigadas à exaustão e, ao final, por total ausência de prova, o Poder Judiciário sempre reconheceu sua inocência".

Procurado, Santos classificou as acusações como "factoides requentados" e afirmou que as investigações, iniciadas em 2010, foram arquivadas por determinação judicial sem que nenhum indício de prova o ligasse a organização criminosa.

Rueda e Canella fazem dobrada no Rio de Janeiro

Antonio Rueda, do União Brasil-RJ, elegeu-se deputado federal com 155,8 mil votos após fazer campanha conjunta com Márcio Canella, também do União Brasil-RJ. Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, foi eleito deputado estadual pela Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) com 197,1 mil votos, ficando atrás apenas de Índia Armelau (PL) no estado.

Canella recebeu apoio de dois milicianos condenados que foram nomeados secretários municipais de Belford Roxo durante sua gestão — as nomeações ocorreram mesmo após decisão judicial que os vinculava ao crime organizado. A defesa afirma que Canella exonerou os funcionários após decisão definitiva, respeitando o direito de defesa, e que o ex-prefeito combateu facções criminosas durante o mandato.

Em julho, Canella foi preso em flagrante após a Polícia Federal encontrar um fuzil em seu carro. Ele foi solto dias depois por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, que cobrou explicações sobre a arma e determinou o uso de tornozeleira eletrônica. A defesa sustenta que a arma pertencia a um policial da escolta do ex-prefeito.

Questionado, Canella chamou de "loucura" as acusações de ligação com milicianos e declarou que, durante o mandato como deputado, aprovou uma indicação legislativa para criar delegacias de combate às milícias. "Isso aí é oposição que fica soltando isso para querer manchar minha imagem. E outra coisa, a minha maior defesa é o povo da minha cidade", disse. "Eu sou ameaçado por miliciano, eu sou ameaçado por traficante em função do trabalho que eu faço. O resto é tudo mentira e conversa fiada", continuou.

O advogado de Rueda afirmou que seu cliente, que também preside o União Brasil em âmbito nacional, não tem como conhecer todos os aliados dos candidatos com quem faz "dobrada" e classificou o caso como uma "quarteirização" de responsabilidade. A assessoria de Rueda informou que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro afastou, por unanimidade, as acusações em 22 de setembro.

Antes do registro das candidaturas, em fevereiro, o nome de Canella chegou a ser cogitado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, como possível candidato ao Senado por sua aliança no Rio de Janeiro. Os eleitos para representar o estado no Senado foram Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL.

Outros dois ficam como suplentes

Entre os 30 postulantes da lista, outros dois candidatos com registros autorizados tornaram-se suplentes. Junior da Lucinha (PSD-RJ) — filho da deputada estadual Lucinha (PSD), investigada por suposta ligação com uma milícia da zona oeste do Rio — obteve 25,8 mil votos para a Alerj. Jerson Domingos (União Brasil-MS), denunciado em ação penal contra uma quadrilha do jogo do bicho, foi escolhido por 16,8 mil eleitores.

Os demais 25 políticos da lista, que não foram eleitos, somaram juntos mais de 1 milhão de votos. A exceção foi Pastor Everaldo (Podemos-RJ), que não recebeu votos por não ter concorrido diretamente — sua chapa para o Senado, ao lado do irmão Marcos Dias (Podemos), foi inicialmente indeferida pelo TRE-RJ e posteriormente deferida com a substituição por Rafael JJ (Podemos).

Os registros de Ney Santos, Rueda e Canella foram todos autorizados pela Justiça Eleitoral antes do pleito.

Source: Google News BR — Crime

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