Lula defende combate ao crime organizado na ONU sem mencionar PCC e CV
Na abertura da 81ª Assembleia da ONU, Lula citou a Lei Antifacção e operações contra o crime, sem nomear as facções classificadas como terroristas pelos EUA.

Discurso de Lula na ONU defende ações contra facções, mas evita citar PCC e CV
Conforme relata veja.abril.com.br, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou sua fala na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada nesta terça-feira, 22, em Nova York, para reafirmar o comprometimento do Brasil com o combate ao crime organizado — sem, no entanto, mencionar pelo nome o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
As duas facções foram classificadas recentemente pelo governo dos Estados Unidos como organizações terroristas, decisão com a qual Lula já havia manifestado discordância na semana anterior.
"Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior. Por muito tempo, os estados brasileiros atuaram cada um à sua maneira. O crime se aproveitou da falta de coordenação. Mas isso está mudando", disse Lula ao abrir a sessão.
O presidente citou a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, sediado em Manaus, que reúne autoridades de segurança pública dos nove países amazônicos. A iniciativa atua, entre outras frentes, na cooperação de fronteiras e no combate ao tráfico de drogas.
Lula também se referiu ao que descreveu como "maior operação contra o crime organizado" da história do Brasil, realizada em 2025. "Batemos recorde de apreensão de drogas e de bens e recursos ilícitos. Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade, inclusive os magnatas do crime", afirmou.
Ao mencionar a Lei Antifacção, aprovada em março deste ano, o presidente destacou que a nova legislação impõe ao crime organizado "penas superiores às previstas para o terrorismo". Lula ainda reforçou que a corrupção e o crime organizado "andam juntos" e prometeu manter o combate à corrupção de forma "implacável". "Ninguém está acima da lei", declarou.
O discurso ocorre em um contexto de tensão diplomática com Washington. Na semana passada, um relatório do Departamento de Estado americano enviado ao Congresso acusou o Brasil de ter falhado no enfrentamento ao PCC e ao CV. No mesmo documento, o presidente Donald Trump solicitou ao governo brasileiro a adoção urgente de "medidas enérgicas" contra as facções. Em evento na sexta-feira, 18, Lula já havia rebatido declarações de Trump sobre o avanço do "terrorismo" na América Latina.
Source: Google News BR — Crime