Operação Ícarus prende chefes do CV no eixo SP-Rio em esquema de R$ 70 mi

Polícia Civil e MPRJ deflagram operação contra rede de tráfico do Comando Vermelho que movimentou R$ 70 milhões entre SP e RJ. Oito suspeitos presos, incluindo o chefe Boss, localizado em Maceió.

Operação Ícarus prende chefes do CV no eixo SP-Rio em esquema de R$ 70 mi

Operação Ícarus desmantela canal de drogas do CV com R$ 70 milhões movimentados

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro deflagraram nesta terça-feira a Operação Ícarus, com o objetivo de desarticular um dos principais canais de fornecimento de drogas do Comando Vermelho (CV) entre São Paulo e o Rio de Janeiro. Segundo oglobo.globo.com, o esquema teria movimentado R$ 70 milhões e mobilizou o cumprimento de 15 mandados de prisão e outros de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas.

Até o início da tarde, oito suspeitos haviam sido presos. O principal alvo da ação, Laércio Isidoro do Nascimento Júnior — conhecido como Boss e apontado como um dos chefes da facção —, foi localizado em Maceió (AL). Ele é apontado como fornecedor de entorpecentes e articulador central da estrutura criminosa.

Planilha de preso deu início à investigação

A apuração teve origem na apreensão de anotações de Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, o My Thor, detido no Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná. Mesmo encarcerado, My Thor continua a operar como um dos líderes do CV. Entre os registros apreendidos, investigadores identificaram uma contabilidade do tráfico que indicava pagamentos feitos por My Thor a Boss.

De acordo com as investigações, Laércio articulava diretamente com chefes do CV o abastecimento de comunidades. Ele também negociava cargas, organizava fretes e pagamentos, coordenava operadores logísticos e utilizava laranjas para movimentar dinheiro do tráfico. O promotor Décio Alonso, do MPRJ, afirmou que Boss ocupava a função que antes era desempenhada pelo próprio My Thor.

— Ele ocupava um papel de liderança dentro da estrutura do Comando Vermelho. Mas, como adotava uma política de isolamento e não colocava a cara, conseguiu ficar muitos anos sem ser identificado nas investigações — explicou Alonso.

O promotor acrescentou que, no Rio, Boss fornecia drogas exclusivamente para o CV, mas mantinha articulações com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em outros estados, sobretudo em São Paulo.

— As articulações eram feitas para evitar problemas na passagem de cargas por áreas do PCC e também para realizar operações de lavagem de dinheiro em São Paulo. Não encontramos nenhum indício de fornecimento de drogas para a facção paulista — disse Alonso.

PMs e policial civil entre os denunciados

O Ministério Público também denunciou os policiais militares Claudio Tavares da Silveira e Diego Portella Batista, acusados de prestar apoio armado à quadrilha, além de participar da distribuição de drogas e do recolhimento de valores. Ambos estão presos.

Outros quatro denunciados — Petterson Suzuki Marques Trindade (o Pet), Rafael de Menezes Faustino (o Alemão), Renato Ivo de Oliveira e Felipe Santos de Oliveira — são apontados como responsáveis pela logística, pelo transporte e por cobranças dentro do esquema.

Um policial civil também é investigado. Segundo o delegado Alexandre Capote, à frente da Corregedoria Geral da Polícia Civil (Cgpol), o agente desempenhava papel central no núcleo financeiro da organização.

— O policial civil era o responsável por ocultar os valores auferidos pela organização criminosa com o comércio ilícito de entorpecentes — afirmou Capote em entrevista ao Bom Dia Rio, da TV Globo.

O nome do policial surgiu na investigação após ser identificado na planilha de My Thor como um dos destinatários de pagamentos. À época, ele já estava afastado de qualquer delegacia por ser alvo de outra investigação interna da Corregedoria. O promotor Alonso detalhou que o agente ia além do núcleo financeiro: atuava como uma espécie de "matuto" da organização, contatando fornecedores e articulando o tráfico inclusive com pessoas do Norte do país.

Tênis da Prada e relógios encontrados com Boss

Durante a operação de prisão de Boss, agentes encontraram tênis das marcas Prada e Dolce & Gabbana, óculos da Louis Vuitton, relógios e roupas de grife. Ainda não foi confirmado se os produtos são originais. A investigação apontou que Boss conseguiu se manter por anos longe dos inquéritos ao agir de forma discreta e mudar constantemente de endereço para dificultar sua localização.

Duas apreensões de drogas vinculadas ao grupo

A investigação identificou duas apreensões diretamente relacionadas à organização. Em 2 de fevereiro de 2024, foram recolhidos 715,7 quilos de cocaína e maconha em Guarulhos (SP). Em 31 de maio do mesmo ano, outros 73,8 quilos de cocaína foram apreendidos em Seropédica, na Baixada Fluminense. Os elementos reunidos pelos investigadores indicam que as duas cargas faziam parte da mesma dinâmica de transporte interestadual de entorpecentes.

Empresas de logística usadas para dissimular envio

O braço financeiro da organização operava por meio de empresas dos setores de transporte e logística, utilizadas para ocultar e viabilizar o envio de drogas entre São Paulo e Rio de Janeiro. Os investigadores identificaram movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo investigados e pessoas jurídicas, possivelmente utilizadas para lavar os recursos obtidos com o tráfico.

Source: Google News BR — São Paulo