Amnistia Internacional exige investigação à PSP após 39 feridos em protesto no Porto

A Amnistia Internacional pediu uma investigação independente à atuação da PSP numa intervenção policial em manifestantes acampados na Praça D. João I.

Amnistia Internacional exige investigação à PSP após 39 feridos em protesto no Porto

Intervenção policial em acampada deixa 39 feridos, Amnistia exige resposta

A Amnistia Internacional exigiu esta quinta-feira uma investigação independente à intervenção da Polícia de Segurança Pública (PSP) contra manifestantes acampados na Praça D. João I, no Porto, após uma operação policial na madrugada que resultou em 39 feridos entre os participantes, segundo relata o Correio da Manhã.

"As autoridades portuguesas devem garantir uma investigação independente, imparcial e eficaz da operação policial. Qualquer pessoa considerada responsável pelo uso ilegal da força deve ser responsabilizada", afirmou João Godinho Martins, diretor executivo da Amnistia Internacional Portugal, em comunicado.

PSP confirma feridos, manifesto atribui "força extrema e desproporcional"

A organização de direitos humanos manifestou preocupação com o que classificou como "uso de força excessiva". Godinho Martins sublinhou que as autoridades têm obrigação de respeitar e proteger o direito ao protesto mesmo durante a noite, e que a dispersão deve ser o último recurso face a manifestantes pacíficos.

"Os relatos de violência policial contra pessoas que protestavam pacificamente contra a crise da habitação em Portugal são profundamente preocupantes", acrescentou, reiterando que "as pessoas têm o direito de protestar pacificamente, incluindo o direito de ocupar o espaço público, mesmo durante a noite".

A PSP confirmou a existência de um polícia ferido e de feridos entre os manifestantes, sem precisar o número exato, atribuindo a intervenção a "comportamentos de resistência" por parte dos presentes.

Movimento no Porto desde sábado com seis reivindicações

O Movimento pela Habitação, em protesto na Praça D. João I desde sábado, denunciou que a intervenção policial na madrugada de quinta-feira foi exercida de forma "extrema, desproporcional e injustificada" contra uma concentração que se manteve, segundo o movimento, "pacífica, sem nunca incitar à violência". A organização considerou a carga "inaceitável" e exigiu responsabilidades.

Entre os 39 feridos contabilizados pelo movimento figura uma pessoa com deficiência. Vários participantes foram hospitalizados na sequência da operação.

As reivindicações do Movimento pela Habitação centram-se em seis pontos: a revogação da lei das rendas, o fim dos despejos, a proibição da compra de imóveis por fundos de investimento, o aumento do parque habitacional público, a recuperação de imóveis devolutos para habitação e o estabelecimento de tetos às rendas.

Centenas em solidariedade ao final do dia

Pelas 20h20 desta quinta-feira, centenas de pessoas concentravam-se novamente na Praça D. João I em solidariedade com o Movimento pela Habitação, numa resposta ao que vários participantes descreveram como repressão policial desproporcionada durante a madrugada.

Source: Correio da Manhã

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