Caso 'Tutti Frutti': juíza manda 56 arguidos do PSD a julgamento por corrupção em Lisboa
A juíza Cláudia Pina pronunciou 56 dos 60 arguidos do processo 'Tutti Frutti', que envolve corrupção em juntas de freguesia de Lisboa. Ângelo Pereira, presidente da distrital do PSD, ficou de fora.

Juíza pronuncia 56 arguidos no processo 'Tutti Frutti', ligado a corrupção em juntas de Lisboa
A juíza de instrução Cláudia Pina decidiu, na segunda-feira, enviar para julgamento 56 dos 60 arguidos do processo 'Tutti Frutti', conforme noticiou o Correio da Manhã. O caso envolve suspeitas de corrupção, tráfico de influências e outros crimes praticados em algumas juntas de freguesia de Lisboa.
Entre os pronunciados figuram os ex-deputados do PSD Sérgio Azevedo e Carlos Eduardo Reis, bem como os antigos autarcas Luís Newton e Vasco Morgado.
Três arguidos afastados do julgamento, um faleceu
Quatro arguidos não irão a julgamento. Inês Drumond, antiga presidente da Junta de Freguesia de Benfica, Ivone Gonçalves, ex-vereadora do PSD em Loures, e Ângelo Pereira, presidente da distrital de Lisboa do PSD, viram as suspeitas contra si arquivadas. Um quarto arguido faleceu entretanto.
Ângelo Pereira estava acusado de recebimento indevido de vantagem, em concreto uma viagem à China. A juíza concluiu não ter ficado provada a existência de qualquer vantagem pessoal associada à oferta.
Rede de influência e contratos irregulares no centro da acusação
Em julgamento, estarão em causa vários contratos celebrados entre juntas de freguesia lideradas pelo PSD e empresas privadas, além da contratação de assessores para a assembleia municipal de Lisboa.
Segundo a acusação do Ministério Público, Carlos Eduardo Reis e Sérgio Azevedo lideravam uma rede de influência nas freguesias da capital. Essa rede terá gerado negócios para a empresa de Reis, a Ambigold, e comissões para Azevedo, pagas a partir dos salários dos assessores por eles nomeados.
Luís Newton é acusado de ter realizado vários ajustes diretos na Junta de Freguesia da Estrela à margem da lei. O mesmo é imputado a Vasco Morgado, ex-presidente da Junta de Freguesia de Santo António, que foi nomeado em 2025 para a empresa municipal de Lisboa responsável pela gestão dos equipamentos culturais da cidade.
Source: Correio da Manhã