Condenada a 7 anos por ciberbullying, mulher acumula sete novos ofendidos durante julgamento

Sofia, nome fictício, foi condenada em 2025 a sete anos e nove meses de prisão por perseguição online. Mesmo assim, continuou a vitimar pessoas — o novo inquérito tem sete ofendidos diretos e dezenas de indiretos.

Condenada a 7 anos por ciberbullying, mulher acumula sete novos ofendidos durante julgamento

Ciberperseguição não parou com a condenação: novo inquérito identifica sete ofendidos

Sofia — nome fictício — foi condenada em abril de 2025 a sete anos e nove meses de prisão por ciberbullying, num processo que teve início em 2019. Ainda assim, segundo a CNN Portugal, a perseguição online não terá cessado: durante o próprio julgamento e após a condenação, Sofia terá feito novas vítimas. Um novo inquérito, aberto em 2023, aponta para sete ofendidos diretos e dezenas de vítimas indiretas.

A 24 de setembro de 2026, o Tribunal Constitucional recusou o recurso de Sofia — a última tentativa de se manter em liberdade. Depois de recorrer ao Tribunal da Relação de Lisboa, ao Supremo Tribunal de Justiça e ao Tribunal Constitucional, e de apresentar reclamações cada vez que as decisões lhe eram desfavoráveis, o caminho para a prisão parece agora sem saída. O processo deverá ser remetido ao Tribunal da Relação e, dali, descer à primeira instância para execução da pena.

Falsa morte e acusações de prostituição de luxo

No novo inquérito, um pai de uma das vítimas descreveu à CNN Portugal o calvário vivido pela família desde 2023. Tudo começou com uma SMS anónima enviada para um grupo de alunas universitárias, do qual fazia parte uma das suas filhas. Seguiram-se e-mails cada vez mais frequentes, dirigidos a escolas, universidades, instituições e pessoas próximas — incluindo entidades do Estado.

Sofia terá feito circular a falsa notícia da morte da jovem, levando amigos e conhecidos a acreditar que havia falecido. Comunicou ainda, de forma anónima e junto de entidades oficiais de outros países, o pretenso desaparecimento da jovem no estrangeiro. Paralelamente, partilhou fotografias manipuladas de cariz pornográfico, insinuou que a filha "se dedicava à prostituição de luxo" e acusou a família de fuga ao fisco e exportações ilegais — crimes que o pai garante "nunca existiram".

As duas filhas deixaram de publicar nas redes sociais. "Cada fotografia ou localização podia alimentar uma nova onda de mensagens", explicou o pai. A família foi obrigada a recorrer a acompanhamento psicológico e psiquiátrico. "Em casa, cada notificação no telemóvel pode ser mais uma má notícia", admitiu.

Em 2023, a família entregou as provas ao Ministério Público com o apoio de advogados. O desejo é claro: "Que a justiça atue com a celeridade que três anos de sofrimento exigem, que ponha termo de vez a esta perseguição e que seja reparado o mal causado."

Mais de uma década de ciberbullying

A CNN Portugal apurou que este não é um fenómeno recente. Antes do processo de 2019 que conduziu à condenação, já havia um inquérito em 2015, entretanto arquivado. Há mais de dez anos que Sofia parece dedicar-se a atormentar pessoas recorrendo ao anonimato que o computador e a Internet proporcionam, segundo o relato de quem acompanhou o caso judicialmente.

A Procuradoria-Geral da República confirmou que "o inquérito com o NUIPC referido se encontra em investigação, estando identificados sete ofendidos" e que "está sujeito a segredo de justiça externo".

Advogado da vítima: "A Internet não é um porto seguro para o crime"

David Silva Ramalho, advogado da vítima no processo que levou à condenação, recorda que, há seis anos, "a arguida praticava livremente os seus crimes, todos os dias, atacando várias pessoas de forma indiscriminada, ainda sob o conforto do anonimato que o computador e a Internet lhe davam."

"Desde então, e a muito custo, a arguida foi identificada, acusada, pronunciada, condenada, e agora, depois de quatro recursos, um requerimento de perícia e três reclamações, finalmente irá cumprir a pena que lhe foi aplicada", disse à CNN Portugal.

Ramalho considerou a condenação definitiva importante por três razões: a arguida vai "responder pelo muito mal que fez às suas vítimas"; a decisão "passa a mensagem de que a Internet não é um porto seguro para o crime e que mais cedo ou mais tarde o anonimato acaba"; e "serve de encorajamento para que vítimas de crimes idênticos os denunciem".

O advogado, juntamente com a colega Adriana Brás, representa também algumas das vítimas no novo inquérito de 2023, onde Sofia surge novamente como suspeita. "Tenho pena que o resultado não tenha chegado mais cedo, mas fico satisfeito que tenha finalmente chegado", afirmou.

Defesa garante entrega voluntária

O advogado de Sofia declarou ao Correio da Manhã que a cliente irá entrar na prisão pelos próprios meios antes do prazo final. "Ela quer encerrar este capítulo", disse.

Apesar da iminente execução da pena, são as vítimas que, para já, permanecem presas num estado permanente de medo. A justiça portuguesa nunca havia determinado uma pena tão elevada para o crime de ciberbullying — e, mesmo assim, a perseguição não parou.

Source: CNN Portugal

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