Confrontos no Porto deixam 38 feridos em manifestação pela habitação
Pelo menos 35 feridos ligeiros e três graves resultaram dos confrontos entre a PSP e manifestantes da Acampada do Porto na madrugada de domingo.

PSP e manifestantes voltam a confrontar-se junto à Câmara do Porto
Pelo menos 38 pessoas ficaram feridas — 35 com ferimentos ligeiros e três com ferimentos graves — após novos confrontos entre a PSP e os manifestantes da Acampada do Porto, na madrugada de domingo. Os dados foram avançados pela organização do protesto num balanço preliminar registado cerca das 05h45.
Segundo o Correio da Manhã, cerca de meia hora depois de esvaziada a Praça D. João I, polícia e manifestantes voltaram a encontrar-se junto à Câmara Municipal do Porto. A organização tinha apelado a que os presentes subissem a Avenida dos Aliados para fazer a contagem de feridos e desaparecidos. Pelo caminho, os manifestantes foram agredidos à bastonada, constatou a agência Lusa no local.
No mesmo período registou-se uma escaramuça com vários homens à civil, um deles a empunhar uma arma de fogo. O grupo acabou por reunir junto à estação da Trindade.
Sete detidos e relatos de violência policial
O advogado do movimento, Tiago Machado, adiantou que terão sido detidas sete pessoas durante a noite. Duas manifestantes que integravam o cordão humano em frente à Câmara Municipal relataram à Lusa o que descreveram como agressões diretas por parte da PSP.
"Usaram tudo contra alguém que só estava a fazer um cordão. A quantidade de pessoas que se teve de puxar para cima foi muita. Desta vez empurraram mais mas nós recuámos mais rápido", afirmaram as duas mulheres, que usavam capacete e máscara.
As manifestantes disseram ter sido "puxadas pela polícia com bastonadas, joelhadas e pontapés" — declarações prestadas após a carga policial que, segundo as mesmas, "empurrou" os presentes para os Aliados.
Negociações falhadas na madrugada
Ao longo da noite, elementos da PSP e os manifestantes dialogaram sobre a permanência na praça. A polícia condicionou a possibilidade de pernoita à desmontagem das tendas, condição que os manifestantes rejeitaram.
Pelas 03h50, um subintendente da PSP reuniu com o advogado Tiago Machado para debater os fundamentos legais da intervenção policial.
Exigências do movimento
Os manifestantes exigem a reversão da nova Lei do Arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.
Source: Correio da Manhã