IL critica silêncio de Montenegro e ministra após buscas do MP na PJ
Mariana Leitão exigiu esclarecimentos ao primeiro-ministro e à ministra da Justiça sobre as buscas do MP à PJ, ligadas ao diretor Carlos Cabreiro.

Líder da IL pede explicações ao Governo sobre buscas do Ministério Público à Polícia Judiciária
O Correio da Manhã reporta que a presidente da Iniciativa Liberal (IL), Mariana Leitão, criticou esta sexta-feira a postura do primeiro-ministro Luís Montenegro e da ministra da Justiça Rita Alarcão Júdice face às buscas realizadas pelo Ministério Público (MP) às instalações da Polícia Judiciária (PJ), afirmando que "os portugueses precisavam de saber" o que o Governo está a fazer.
Leitão falava aos jornalistas à entrada da rentrée do Núcleo Territorial de Lisboa da IL, depois de questionada sobre as buscas efetuadas na quarta-feira às instalações da PJ, no âmbito de um processo que envolve o atual diretor da polícia, Carlos Cabreiro.
"Silêncio total e absoluto"
A líder da IL deixou claro que não pretende comentar investigações em curso, sublinhando que "o Ministério Público está a fazer o seu trabalho". Ainda assim, afirmou ficar espantada com o que classificou de "silêncio total e absoluto por parte da ministra da Justiça e até por parte do primeiro-ministro".
Leitão argumentou que a PJ está sob a tutela do Ministério da Justiça e que Alarcão Júdice tem obrigação de vir "explicar o que está em causa". Pediu igualmente esclarecimentos diretos a Montenegro sobre o caso.
Questionada sobre o facto de a ministra já ter manifestado confiança em Carlos Cabreiro, a presidente da IL disse esperar uma posição "mais contundente, mais firme" por parte do Governo.
"Temos neste momento o diretor nacional [da PJ] a ser investigado e a ministra da Justiça limita-se a dizer que mantém a confiança na pessoa em causa. O que é que se está a passar dentro da Polícia Judiciária?", questionou Leitão.
PJ "profundamente afetada"
A presidente da IL considerou que a Judiciária é uma instituição "profundamente afetada por um conjunto de casos" ocorridos ao longo dos últimos meses, reforçando que os cidadãos têm direito a saber qual a resposta do executivo.
"Era importante que esses esclarecimentos fossem dados, quer pela senhora ministra da Justiça, mas também pelo primeiro-ministro. Estamos a falar da principal polícia de investigação criminal", enfatizou Leitão.
Reações do Governo
Na quarta-feira, Montenegro manifestou o desejo de que as buscas possam contribuir para que "rapidamente a situação possa ser clarificada" e resultem numa maior confiança da sociedade nas instituições.
No dia seguinte, a ministra Alarcão Júdice declarou que as diligências do MP "não afetam a confiança no Diretor Nacional da PJ".
O processo em causa
O MP realizou as buscas na PJ na quarta-feira no âmbito de um inquérito aberto após uma denúncia de suspeita de que o diretor nacional Carlos Cabreiro terá cometido falsas declarações em tribunal e abuso de poder. As alegações estão relacionadas com escutas no contexto do processo "Football Leaks".
Source: Correio da Manhã