Leonor e João Cipriano trocam acusações sobre venda de Joana, 22 anos após desaparecimento

Irmãos condenados pela morte de Joana Cipriano, de 8 anos, quebram silêncio e acusam-se mutuamente de ter vendido a criança por 50 mil euros.

Leonor e João Cipriano trocam acusações sobre venda de Joana, 22 anos após desaparecimento

Irmãos Cipriano acusam-se mutuamente de venda de Joana duas décadas depois

O Correio da Manhã relata que Leonor Cipriano e o irmão João Cipriano voltaram a falar publicamente sobre o desaparecimento de Joana, filha de Leonor, ocorrido a 12 de setembro de 2004 na aldeia de Figueira, em Portimão. Vinte e dois anos depois do crime, e após ambos terem sido condenados a 16 anos e oito meses de prisão pelo homicídio da criança — cujo corpo nunca foi encontrado —, os dois irmãos reiteram a inocência e admitem que Joana possa estar viva.

As acusações cruzam-se em sentidos opostos. "Ela vendeu-a por 50 mil euros, foi o que ouvi dizer", afirmou João numa reportagem da SIC. Leonor respondeu na mesma moeda: "Já me disseram certas pessoas que ele a vendeu." A mãe da menina descreveu o impacto do caso na sua vida com uma imagem crua: "Uma bomba caiu ali e destruiu a minha vida", disse, acrescentando que se dedica à mendicidade por não conseguir emprego.

A noite do desaparecimento

Na versão de Leonor, João chegara nesse dia à aldeia para ficar em sua casa, onde ela vivia com o companheiro, Joana e mais dois filhos. Sem comida suficiente para o jantar, Leonor pediu à filha que fosse a um café comprar leite e conservas. "Dei-lhe 10 euros. Eram oito horas e o café fica a 500 metros", relatou. Segundo Leonor, o irmão seguiu a menina sem justificação aparente. "Ele não tinha dinheiro para cerveja e ia ao café para quê? Quando voltou disse que não a tinha visto."

A dona do café confirmou que Joana esteve no estabelecimento a fazer as compras. Cerca de duas horas depois, a mãe apareceu a perguntar pela filha. Mais tarde, ao passar pela casa de Leonor, encontrou os dois irmãos tranquilos à porta, que lhe disseram que Joana ainda não tinha aparecido e que já tinham avisado a GNR.

Confissões e retratações

As buscas iniciaram-se sem resultado. Leonor e João foram detidos. João chegou a confessar o crime à Polícia Judiciária por duas vezes, declarando que esbofeteara a menina e que ela batera com a cabeça na parede. Conduziu ainda inspetores a vários locais onde o corpo supostamente estaria, mas nenhuma pista se confirmou. Atualmente, afirma não se recordar de nada.

A PJ investigou também a hipótese de o corpo ter sido esquartejado e dado a porcos, mas essa versão nunca foi provada. Em tribunal, nenhum dos dois prestou declarações. Mesmo sem a localização do cadáver, foram condenados — Leonor a 20 anos, João a 19 — penas que o Supremo Tribunal de Justiça viria a reduzir para 16 anos e oito meses para ambos. Saíram em liberdade condicional em 2019.

Alegadas torturas e condenações de inspetores

Leonor mantém as acusações de maus-tratos por parte da PJ durante a investigação, posição que sustenta desde o início do processo. Na altura foram divulgadas fotografias do seu rosto com marcas visíveis. "Fui torturada, parecia uma bola no chão", afirmou. Cinco inspetores chegaram a ser julgados; dois foram condenados em 2009 a penas suspensas, mas apenas por falsidade de testemunho e falsificação de documentos, e não por agressões.

Quanto ao tempo cumprido, Leonor sublinha: "Tive um comportamento excelente e só cumpri 14 anos."

O caso Joana Cipriano permanece sem resolução definitiva quanto ao paradeiro da criança, desaparecida há mais de duas décadas.

Source: Correio da Manhã

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