PGR Amadeu Guerra nega conflito com PJ após buscas no caso Football Leaks

O Procurador-Geral da República garante que não existe mal-estar entre o MP e a PJ após as buscas de quarta-feira. As duas instituições continuarão a colaborar, afirmou Amadeu Guerra.

PGR Amadeu Guerra nega conflito com PJ após buscas no caso Football Leaks

PGR afasta tensão com PJ após buscas ligadas ao caso Football Leaks

O Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, negou esta sexta-feira, 25 de setembro, qualquer "ambiente pesado" entre o Ministério Público e a Polícia Judiciária, na sequência das buscas realizadas na quarta-feira no âmbito do caso Football Leaks. Segundo o dn.pt, as declarações foram feitas em Bragança, à margem da conferência "Idade e Vulnerabilidade: Onde deve ir o Direito".

"Sempre colaborámos bem, sempre foram pessoas muito disponíveis. Nós vamos continuar a fazer trabalho com a Polícia Judiciária, como é óbvio, continuamos todos os dias a fazer isso, não há qualquer problema", afirmou Guerra aos jornalistas.

O Procurador-Geral sublinhou que o "valor" da PJ merece respeito e que não pretende criticar as ações da instituição. "Isto é uma situação normal na vida democrática. A Polícia Judiciária é uma instituição, merece todo o nosso respeito. Eu da minha parte continuo a respeitar a instituição", defendeu.

Buscas centradas no diretor Carlos Cabreiro

A PJ foi alvo de buscas por parte do Ministério Público na quarta-feira, num processo que envolve o atual diretor nacional, Carlos Cabreiro. O magistrado é suspeito de ter feito falsas declarações em tribunal e de abuso de poder, em alegadas escutas realizadas no âmbito do processo Football Leaks, do qual fez parte o hacker Rui Pinto.

De acordo com a queixa apresentada ao Ministério Público, estão em causa gravações de um encontro ocorrido em 2015 numa área de serviço da autoestrada A5, entre Lisboa e Cascais, entre Aníbal Pinto e outros intervenientes no processo. Esse encontro terá sido decisivo para a PJ identificar Rui Pinto. As gravações terão sido autorizadas por Cabreiro, que à data era coordenador da Secção de Investigação da Criminalidade Informática da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo. Cabreiro assumiu a direção nacional da PJ em abril de 2026.

Segredo de justiça impede detalhes

Questionado sobre os resultados das buscas, Amadeu Guerra recusou adiantar quaisquer detalhes, invocando o segredo de justiça. O Procurador-Geral lamentou ainda a fuga de informação que chegou aos órgãos de comunicação social.

Guerra normalizou a investigação em curso, afirmando que "este processo é igual a muitos outros", nos quais uma pessoa apresenta uma denúncia e o Ministério Público abre inquérito para aprofundar os factos. "Recolhemos prova, que é o que normalmente fazemos, depois analisamos a prova e depois de analisada a prova e ouvirmos as pessoas que nos podem esclarecer sobre os factos, deduzimos acusação ou arquivamos", explicou.

O Procurador-Geral reiterou que a Polícia Judiciária colaborou na investigação que lhe está a ser dirigida.

Source: RTP

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