Bombeiro militar mata estudante de Medicina a tiros em Taubaté após briga no trânsito
Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, atirou quatro vezes contra Bruno Hashimura San Juliano após discussão na Avenida do Povo. Suspeito teve liberdade provisória concedida; MP recorreu pedindo prisão preventiva.

Bombeiro com histórico de ocorrências é acusado de matar estudante de Medicina a tiros em Taubaté
Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, bombeiro militar de 28 anos com cerca de uma década na corporação, atirou contra Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, na Avenida Professor Walter Thaumaturgo — conhecida como Avenida do Povo —, em Taubaté, interior de São Paulo, na quarta-feira (30). Bruno, estudante de Medicina, foi atingido por quatro disparos e não sobreviveu. Segundo apuração de g1.globo.com, o acusado foi preso em flagrante, mas obteve liberdade provisória e segue investigado pelo homicídio.
A guia de encaminhamento médico preenchida no Hospital Regional do Vale do Paraíba registra quatro ferimentos por arma de fogo: um no pescoço, dois no tórax e um no braço esquerdo. A pistola Taurus 380 utilizada no crime era registrada em nome de Marcos, com certificado de registro emitido em 2023.
O que mostram as câmeras de segurança
Imagens de câmeras captadas na avenida mostram os dois veículos trafegando lado a lado. Nas gravações, Marcos aparece gesticulando pela janela de um Jeep Renegade. Em seguida, ambos os carros param lado a lado em um semáforo. Uma placa de trânsito impede a visualização completa do momento imediatamente anterior aos disparos.
Em depoimento à polícia, Marcos afirmou ter acreditado estar diante de uma tentativa de assalto e alegou legítima defesa, dizendo que Bruno portava um objeto que parecia uma arma. Uma testemunha, porém, apresentou versão diferente: segundo o relato, Marcos teria saído do carro, se aproximado do veículo de Bruno e quebrado o vidro antes de efetuar os tiros, sem que o estudante tivesse reagido. No interior do carro de Bruno, os policiais encontraram apenas um canivete.
Ocorrências anteriores envolvendo o acusado
Antes do episódio fatal em Taubaté, Marcos já havia se envolvido em outras ocorrências registradas pelas autoridades.
Em 2021, o bombeiro se envolveu em uma confusão no trânsito na Avenida Mário Covas, em São José dos Campos. Na versão apresentada por ele à época, outro motorista o teria fechado e, ao parar no acostamento, teria saído do veículo portando uma faca — momento em que Marcos sacou a arma. O outro motorista, um corretor de imóveis, apresentou versão distinta: afirmou ter sido fechado pelo bombeiro e ofendido durante a discussão. A defesa de Marcos sustenta que o caso foi arquivado, sem denúncia do Ministério Público nem ação penal.
Em fevereiro de 2024, uma mulher de 29 anos registrou boletim de ocorrência contra Marcos em São José dos Campos por violência doméstica e ameaça. Segundo informações apuradas pela TV Vanguarda, ela relatou à polícia ter sido ameaçada diversas vezes pelo bombeiro, que também teria tentado convencê-la a não registrar a ocorrência. O episódio teria ocorrido na região do bairro 31 de Março. A defesa afirma que essa ocorrência igualmente foi arquivada, sem denúncia ou ação penal.
Trajetória na corporação e afastamento
Marcos integrava o comando metropolitano do Corpo de Bombeiros, em São Paulo. Segundo a corporação, ele nunca trabalhou em unidades do Vale do Paraíba e Litoral Norte. Desde maio, estava afastado das funções após solicitar licença para tratar de assuntos particulares — modalidade que pode durar até dois anos e não prevê pagamento de salário.
Situação judicial
Após a prisão em flagrante, a Justiça concedeu liberdade provisória ao militar com medidas cautelares, entre elas a suspensão do porte de arma. O Ministério Público de São Paulo recorreu da decisão e requereu a prisão preventiva de Marcos. O recurso ainda está em análise.
Em nota, o advogado Cláudio Rodrigues Moreira afirma que todas as ocorrências anteriores foram arquivadas e não resultaram em denúncia ou ação penal. Sobre o episódio de 2021, a defesa sustenta que a versão atualmente divulgada não corresponde ao relato apresentado pelo bombeiro à época e afirma que ele sequer teria saído do veículo. A defesa também pede cautela na divulgação dos fatos pretéritos, argumentando que procedimentos arquivados não devem ser tratados como condenações ou antecedentes criminais.
O caso é investigado pela Polícia Civil de Taubaté.
Source: Google News BR — São Paulo