Fraude de identidade no Brasil sobe 32,9%: 2,8 milhões de tentativas em 6 meses
O Brasil registrou 2,8 milhões de tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre, uma a cada 5,5 segundos, alta de 32,9% ante 2025.

Brasil bate recorde de fraude de identidade no primeiro semestre
O Brasil registrou 2,8 milhões de tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre deste ano, o equivalente a uma tentativa a cada 5,5 segundos. Os dados, divulgados pelo Mapa da Fraude da Serasa Experian e reportados por extra.globo.com, indicam um avanço de 32,9% em relação ao mesmo período de 2025.
O levantamento considerou tentativas detectadas em processos de cadastro e validação de identidade — situações em que alguém tenta se passar por outra pessoa ou usa documentos e informações de terceiros para abrir contas, solicitar crédito ou acessar serviços.
Expansão digital impulsiona sofisticação dos golpes
Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção a Fraude da Serasa Experian, atribui o crescimento à combinação entre a digitalização acelerada de serviços e o aprimoramento das ferramentas usadas por fraudadores.
— Hoje, mais etapas da nossa vida acontecem digitalmente, desde abrir uma conta até contratar serviços. Ao mesmo tempo, os fraudadores também estão mais organizados e têm à disposição tecnologias que permitem criar abordagens mais convincentes e explorar dados obtidos por diferentes meios.
Varejo lidera alta setorial; setor financeiro concentra ocorrências
Na comparação com o primeiro semestre de 2025, o varejo registrou o maior crescimento proporcional de tentativas: alta de 120,7%. A telefonia avançou 51,4% e o setor de serviços, 40,2%.
Ainda assim, o setor financeiro permaneceu como o mais visado em volume absoluto. Os segmentos de meios de pagamento, bancos e cartões e financeiras responderam juntos por 61,1% do total de tentativas identificadas no período.
Dia dos Namorados com maior taxa de risco
Entre as datas comemorativas analisadas, o Dia dos Namorados apresentou a maior taxa de risco: 22,2% acima da média do semestre. Isso significa que, a cada cem validações de identidade realizadas na data, mais de duas exibiram indícios de tentativa de fraude — uma taxa de 2,42%. O Dia das Mães ficou em segundo lugar, com taxa 11,6% acima da média semestral, seguido pelo Ano Novo, com alta de 5,1%.
Consequências vão além do prejuízo financeiro
Rafael Garcia, consultor de Prevenção às Fraudes da FICO, alerta que a fraude de identidade é "silenciosa por natureza" e que seus efeitos se prolongam no tempo.
— A vítima pode ter o nome negativado por dívidas que não contraiu, enfrentar dificuldade para conseguir crédito próprio e passar por um processo longo de contestação junto às instituições.
Sudeste concentra tentativas; Nordeste lidera crescimento
Por regiões, o Sudeste concentrou 21,7% das tentativas no semestre, seguido pelo Nordeste, com 16,3%. As demais regiões registraram menos de 10% cada. Todas, porém, apresentaram alta em relação ao mesmo período de 2025. O maior avanço foi no Nordeste (14%), seguido pelo Sudeste (13,8%).
Geração Z é a mais afetada
A Geração Z — pessoas entre 14 e 29 anos — registrou o maior volume de ocorrências: cerca de 505 mil casos no semestre, alta de 27,3% ante o mesmo intervalo de 2025.
Flavio Correa, líder de Engenharia de Segurança da Cisco Brasil, avalia que padrões de comportamento digital característicos dessa faixa etária contribuem para o risco maior.
— Apesar da intimidade com a tecnologia, eles priorizam a conveniência imediata e apresentam maior tendência a utilizar a mesma senha em múltiplos serviços, baixar aplicativos de fontes não oficiais, interagir com promoções em redes sociais e cair em ofertas de renda rápida ou cupons.
Sinais de alerta e principais golpes
Bartolassi enumera os sinais que podem indicar uso indevido de identidade: cobranças por produtos ou serviços não contratados, contas ou cartões não solicitados, alterações inesperadas no histórico ou score de crédito, comunicações de empresas com as quais o consumidor nunca teve relação e dificuldades inesperadas ao tentar contratar crédito.
Entre as modalidades de golpe mais comuns identificadas pelo estudo, destacam-se três:
Golpe do Sósia: fraudadores usam tecnologia para comparar a própria imagem com diferentes identidades legítimas em busca da pessoa com maior probabilidade de passar por uma validação biométrica. A proteção recomendada é não compartilhar fotos de documentos ou selfies com documentos, fornecer dados pessoais e biometria apenas em canais oficiais, desconfiar de pedidos inesperados de reconhecimento facial e monitorar regularmente o CPF.
Falsa central de atendimento: criminoso telefona fingindo ser funcionário de banco, relata uma compra suspeita e solicita senhas, transferências ou instalação de aplicativos. A orientação é desligar imediatamente — nenhum banco realiza essas solicitações — e ligar para o número oficial da instituição.
Phishing e páginas falsas: o golpista envia e-mail, SMS ou mensagem se passando por uma empresa conhecida para induzir a vítima a fornecer CPF, senha ou dados bancários. A recomendação é não clicar em links recebidos e acessar a empresa diretamente pelo aplicativo oficial ou digitando o endereço no navegador.
Source: Google News BR — Crime