Operação Crédito Oculto: esquema de R$ 11,6 mil milhões investiga compra da distribuidora Tobras

O Gaeco e a Receita Federal cumprem mandados em sete estados brasileiros para investigar lavagem de dinheiro na aquisição da distribuidora de combustíveis Tobras.

Operação Crédito Oculto: esquema de R$ 11,6 mil milhões investiga compra da distribuidora Tobras

Buscas em sete estados visam suspeitos de ocultar compra milionária da distribuidora Tobras

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo deflagrou, na quinta-feira (24), uma nova fase da Operação Carbono Oculto. Conforme relata ndmais.com.br, a ação — batizada de Operação Crédito Oculto — cumpre mandados de busca e apreensão em sete estados, incluindo Santa Catarina, no âmbito de investigações sobre lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial ligadas à aquisição da distribuidora de combustíveis Tobras, também conhecida como Terrana.

A operação é conduzida em conjunto com a Receita Federal e tem como alvos, entre outros, Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, e o empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, dono da Entre Investimentos e já associado a investigações envolvendo o Banco Master.

Sobreposição de empresas, fundos e fintechs

Segundo o Ministério Público de São Paulo, a investigação identificou uma estrutura complexa composta por empresas, fundos de investimento, holdings, fintechs e empresas de fachada. A suspeita é de que essas camadas teriam servido, numa primeira fase, para ocultar os verdadeiros controladores de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo e, posteriormente, para viabilizar a compra da distribuidora de combustíveis.

A usina estava registada oficialmente em nome de diferentes fundos e empresas que, à primeira vista, não apresentavam ligação entre si. Para os investigadores, essa divisão teria sido deliberadamente criada para encobrir a identidade de quem realmente controlava o ativo.

Movimentação de R$ 370 milhões no centro das suspeitas

Um dos pontos centrais da investigação é uma operação de cerca de R$ 370 milhões envolvendo direitos creditórios da usina. Segundo o MPSP, uma empresa do grupo adquiriu esses direitos utilizando cotas de um fundo de investimento. A análise dos fluxos financeiros revelou que parte relevante dos recursos usados nessa compra teria origem em outros fundos controlados pelo próprio grupo investigado.

Na prática, o dinheiro teria circulado entre empresas e fundos ligados aos mesmos envolvidos antes de retornar à estrutura original — um percurso que, segundo os investigadores, conferia aparência de normalidade às transações e dificultava a identificação dos reais beneficiários.

R$ 100 milhões para financiar a distribuidora

Numa segunda etapa, o MPSP identificou a transferência de R$ 100 milhões para a conta da usina com o objetivo declarado de financiar a aquisição da distribuidora de combustíveis. Antes de atingir o destino final, os recursos passaram por contas de três empresas do grupo em plataformas de fintechs — contas que, segundo os investigadores, serviam exclusivamente para receber e repassar valores.

Os R$ 100 milhões foram depois alocados num novo fundo de investimento criado especificamente para a operação. A partir daí, o dinheiro teria percorrido uma série de operações financeiras até chegar às empresas que, segundo a investigação, serviriam para encobrir os verdadeiros responsáveis pela compra da Tobras.

Uma das etapas desse trajeto envolveu um CDBV (Certificado de Depósito Bancário Vinculado): o fundo investiu os recursos num CDB junto a um banco, que depois realizou uma operação financeira associada a esse investimento e libertou crédito para duas empresas de fachada identificadas na investigação.

Movimentação total de R$ 11,6 mil milhões entre 2021 e 2025

O dado que mais se destaca no conjunto de evidências é a movimentação de aproximadamente R$ 11,6 mil milhões registada entre 2021 e 2025 por uma empresa financeira integrante da estrutura investigada. O MPSP considera que esse volume, somado às demais provas recolhidas, reforça os indícios de que toda a arquitetura financeira teria sido montada para dissimular a origem dos recursos, ocultar patrimônio e impedir a identificação dos responsáveis pelas operações.

A terceira fase da Operação Carbono Oculto visa agora esclarecer de que forma as empresas e os fundos identificados foram utilizados na aquisição da distribuidora e quem são os titulares efectivos dos recursos envolvidos.

Source: CNN Portugal

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