Polícia Federal pede afastamento do procurador-geral Paulo Gonet de investigação do Banco Master

A ADPF exige que Paulo Gonet se afaste de investigação em que é mencionado, ligada ao escândalo que abalou o Supremo Tribunal Federal do Brasil.

Delegados da PF pedem afastamento de Paulo Gonet de inquérito em que é citado

Delegados da Polícia Federal brasileira solicitaram, no sábado, ao procurador-geral Paulo Gonet que se afaste da investigação sobre um relatório policial no qual o seu nome consta — documento esse que está no centro de um escândalo que provocou uma crise profunda no Supremo Tribunal Federal (STF), conforme relatou a CNN Portugal.

O relatório em causa foi elaborado por quatro delegados e três agentes da Polícia Federal, por ordem do juiz André Mendonça, do STF, e reúne 52 mensagens encontradas no telemóvel de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do extinto Banco Master, detido no âmbito de uma investigação por fraude milionária no sistema financeiro. O nome de Gonet figura no mesmo documento.

Gonet abre processo interno contra os investigadores

Após tomar conhecimento do conteúdo do relatório, o procurador-geral instaurou um processo para apurar se existiu uma "ordem ou interferência externa" na sua elaboração e se essa eventual intervenção afetou o teor do documento.

A Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal (ADPF), que representa mais de 2.300 delegados, rejeitou a medida e afirmou, em comunicado, que os funcionários envolvidos se limitaram a cumprir uma ordem judicial, sem margem para questionar as instruções recebidas.

Segundo a ADPF, se a Procuradoria-Geral considerar irregular a decisão que ordenou a elaboração do relatório, deve contestá-la perante o STF — e não por via de um processo contra os investigadores que executaram essa ordem. A associação sublinhou ainda que o controlo externo da atividade policial não confere ao Ministério Público poder disciplinar sobre delegados e agentes, nem constitui um mecanismo para rever decisões judiciais.

A entidade pediu também que todos os factos revelados pela operação relativa ao Banco Master sejam investigados "em toda a sua extensão, sem seletividade quanto às autoridades envolvidas", e solicitou o arquivamento do processo instaurado por Gonet.

Crise no STF com acusações entre juízes

A divulgação das mensagens do telemóvel de Vorcaro desencadeou uma crise no STF marcada por acusações mútuas entre magistrados da mesma instância. O ponto mais agudo ocorreu na terça-feira, quando o juiz Mendonça levantou o sigilo das investigações preliminares da polícia e pediu ao presidente do STF, Luiz Edson Fachin, que o caso fosse analisado em plenário.

As mensagens atribuídas a Vorcaro incluem alegadas comunicações com o juiz Alexandre de Moraes — que conduziu o julgamento que resultou na prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado — bem como referências a negócios milionários, reuniões e ofertas de experiências de luxo ao magistrado e à sua família.

O escândalo, que se arrasta desde 2025, envolveu também o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Gonet pediu a anulação do processo depois de a polícia ter encontrado mensagens entre Vorcaro e um advogado que alegadamente servia de intermediário entre o procurador-geral e o banqueiro.

Moraes pede investigação a Mendonça

Sob forte pressão para se demitir, Moraes contra-atacou e solicitou que Mendonça fosse investigado por "fortes indícios" de abuso de autoridade e crime de responsabilidade, entre outras acusações, apoiando-se num documento dos serviços de informação da Polícia Federal que, segundo críticos, não tem "valor probatório".

O presidente do STF, Fachin, tomou na sexta-feira duas decisões: abriu um processo separado para investigar "supostas irregularidades nas investigações da Polícia Federal" e concedeu cinco dias úteis aos envolvidos para apresentarem explicações.

Source: CNN Portugal

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