Suspeito de liderar rota de drogas do CV entre SP e RJ é preso em Maceió
Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, o "Boss", foi detido na segunda-feira (21) em Maceió. Ele é apontado pelo MP-RJ como chefe do transporte de entorpecentes do Comando Vermelho.

Operação Ícaro prende suposto chefe de rota interestadual do Comando Vermelho
Segundo www1.folha.uol.com.br, um homem conhecido como "Boss" — identificado como Laércio Isidoro do Nascimento Júnior — foi preso na segunda-feira (21) em sua residência em Maceió, capital de Alagoas. O Ministério Público do Rio de Janeiro o aponta como o comandante de um esquema do Comando Vermelho (CV) responsável pelo transporte de drogas entre São Paulo e o Rio de Janeiro.
A prisão ocorreu no âmbito da Operação Ícaro, com mandados de prisão preventiva expedidos pela 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa. Boss é um dos 15 denunciados com mandados de prisão sem prazo para soltura cumpridos na mesma semana. A operação contou com apoio das Polícias Civis do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Alagoas, da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e da Polícia Militar fluminense.
Além dos mandados de prisão, a operação incluiu ordens de busca e apreensão de aparelhos eletrônicos, documentos, valores e veículos ligados ao esquema.
Sucessor de líder já preso
De acordo com o promotor Décio Alonso, Boss assumiu a função antes exercida por Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, o "My Thor", descrito como uma das lideranças do CV e atualmente preso no Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná.
Segundo investigadores, foi Boss quem passou a articular diretamente com chefes da facção o abastecimento de comunidades, negociando cargas, organizando fretes e pagamentos, coordenando operadores logísticos e utilizando laranjas para movimentar dinheiro do tráfico. O promotor Alonso afirmou ainda que Boss ficou anos sem ser identificado pelas investigações por adotar "uma política de isolamento".
No Rio de Janeiro, Boss fornecia drogas com exclusividade para o CV, mas mantinha articulações com integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) em outros estados, especialmente em São Paulo, segundo a Promotoria.
Empresas de fachada e quase R$ 71 milhões em transações atípicas
O grupo é apontado como responsável pelo transporte de toneladas de drogas entre os dois estados, usando empresas de transporte e logística como fachada para ocultar as cargas ilícitas em meio a mercadorias regulares. O cruzamento de dezenas de comunicações sobre movimentações financeiras atípicas, envolvendo denunciados e estabelecimentos comerciais, apontou transações de R$ 70.497.597 em curto período.
A rota São Paulo–Rio de Janeiro é considerada estratégica para o abastecimento de facções fluminenses.
Duas apreensões de droga vinculadas ao esquema
A denúncia relaciona à estrutura logística do grupo duas apreensões realizadas em 2024. Em 2 de fevereiro, foram encontrados 715,7 quilos de cocaína e maconha em Guarulhos, São Paulo. Em 31 de maio do mesmo ano, outros 73,8 quilos de cocaína foram apreendidos em Seropédica, na Baixada Fluminense. Juntas, as cargas somam 789,5 quilos de entorpecentes que, segundo a polícia, integravam a mesma dinâmica de transporte interestadual.
Dois policiais militares entre os acusados
Entre os 15 denunciados, dois são policiais militares acusados de prestar apoio armado ao grupo e de atuar na distribuição de drogas e no recolhimento de valores. Ambos já se encontram presos. Não há informação se apresentaram advogado; nos processos abertos, não constam defesas nomeadas.
Outros quatro denunciados eram responsáveis pela logística, pelo transporte e pela cobrança dentro do esquema. Seis recebiam as drogas de forma recorrente no Rio de Janeiro para posterior redistribuição. Dois atuavam como laranjas.
A Promotoria pediu a condenação dos acusados por associação para o tráfico e lavagem de capitais, além do confisco de bens e da perda alargada do patrimônio do grupo.
Source: Google News BR — São Paulo