Incêndio na Milrem Robotics ordenado pela Rússia, conclui serviço de segurança da Estónia
A Estónia acusa a Rússia de ter ordenado um ataque incendiário "deliberado e premeditado" à empresa de defesa Milrem Robotics em agosto. Três suspeitos letões foram detidos e extraditados.

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O Serviço de Segurança Interna da Estónia (KAPO) concluiu, após investigação, que o incêndio deflagrado na empresa de defesa Milrem Robotics na noite de 14 para 15 de agosto foi um ataque "deliberado e premeditado" ordenado pela Rússia, conforme reporta a CNN Portugal.
A Milrem Robotics, fundada em 2013, é especializada em sistemas robóticos e autónomos. A empresa fabrica veículos terrestres não tripulados fornecidos à Ucrânia, utilizados para entregar provisões, transportar munições, evacuar feridos e instalar minas. O diretor executivo da empresa declarou à Reuters, na altura, que os materiais destinados à Ucrânia não foram danificados no incidente.
O Kremlin rejeitou as acusações. Dmitry Peskov, porta-voz da presidência russa, classificou as alegações estónias como "infundadas, irrefletidas, sem qualquer relação com a realidade ou fundamento lógico" — uma postura que Moscovo tem repetido sistematicamente quando confrontada com acusações de ataques em países da NATO que apoiam a Ucrânia.
Margo Palloson, diretor-geral do KAPO, afirmou à ERR, a emissora pública de rádio e televisão da Estónia, que a Rússia está "constantemente a planear e a procurar oportunidades e pessoas que realizem ataques". Palloson acrescentou que este ataque incendiário foi o primeiro do ano a ser bem-sucedido em território estónio.
Os autores foram identificados e detidos. Tratava-se de cidadãos letões residentes na Rússia, com participação prévia em outras operações semelhantes. Três suspeitos foram presos na Letónia e extraditados para a Estónia no início de setembro. "A Rússia continua à procura de oportunidades para realizar atos de sabotagem e outras atividades hostis em toda a Europa", sublinhou Palloson.
Margus Tsahkna, ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia, enquadrou o incidente numa estratégia mais ampla de Moscovo. "Este ato de sabotagem faz parte de uma campanha mais ampla da Rússia em toda a Europa, destinada a intimidar e enfraquecer o apoio à Ucrânia", declarou Tsahkna. O ministro realçou ainda nas redes sociais que "a Estónia é um ambiente difícil para a Rússia realizar tais ações, porque agimos de forma decisiva e rápida para proteger o nosso Estado".
A ameaça russa não é nova para Tallinn. Desde o início da guerra na Ucrânia, as autoridades estónias detiveram mais de 20 pessoas envolvidas em ataques executados a mando de Moscovo, segundo dados do próprio KAPO. A Estónia, ex-república soviética com fronteira direta com a Rússia, mantém há anos um estado de alerta elevado face à agressão russa.
Source: CNN Portugal