Ex-presidente Peña depõe no Ministério Público do Paraguai após impeachment

Santiago Peña chegou ao Ministério Público em Assunção neste sábado para prestar depoimento, um dia após ser destituído pelo Congresso no escândalo do Ueno Bank.

Ex-presidente paraguaio se apresenta ao Ministério Público após destituição

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, chegou à sede do Ministério Público em Assunção neste sábado (7) para prestar depoimento, um dia após ser preso e ter seu impeachment aprovado pelo Congresso Nacional. A confirmação foi feita pelo próprio Ministério Público à correspondente Luciana Taddeo, da CNN Brasil, que acompanha o caso.

Imagens captadas pela emissora local NPY mostram Peña descendo do carro acompanhado de uma escolta policial antes de entrar no edifício. A ordem de prisão foi assinada por promotores da Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção e da Unidade Especializada em Crimes Informáticos. No comunicado, as autoridades ressaltaram que "as pessoas detidas deverão ser colocadas à disposição da autoridade competente dentro do prazo legal, com observância de seus direitos e garantias".

Promotores que falaram do lado de fora da residência de Peña, em Assunção, informaram que as acusações ainda estavam sendo definidas, mas poderiam incluir tráfico de influência. O ex-presidente é investigado por suspeitas de gestão fraudulenta e outros crimes ligados à crise desencadeada pela falência do Ueno Bank.

O Senado aprovou o impeachment de Peña por 44 votos a favor e uma abstenção, um dia após a Câmara dos Deputados já ter dado aval ao processo. Com a destituição confirmada, o antigo vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do país.

No centro do escândalo está o banco Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, que encerrou suas operações na terça-feira (3) após o Banco Central do Paraguai iniciar um processo de liquidação ao identificar déficit nos índices de solvência da instituição, relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo. O banco contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.

Peña, economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista do Grupo Vázquez até março do ano passado. A oposição o acusou de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento por parte do Banco Central.

"Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou", afirmou a deputada da oposição Rocío Vallejo durante a sessão que precedeu a votação do impeachment.

Antes de ser detido, Peña publicou na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderiam perante a Justiça sem exceções, e promulgou uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em prazo reduzido.

Source: Google News BR — Crime

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