Homicídio de jovem mãe em Jacksonville resolvido 38 anos depois com confissão espontânea

Gary Glowacz, de 70 anos, confessou em julho de 2025 ter matado Melissa Ellison em 1987, após ler um artigo sobre o caso. A filha da vítima, que era bebé na altura, foi a primeira a receber a notícia da detenção.

Homicídio de jovem mãe em Jacksonville resolvido 38 anos depois com confissão espontânea

Confissão espontânea resolve assassinato de 1987 em Jacksonville, Flórida

No dia 8 de julho, mais de 38 anos após o homicídio de Melissa "Missy" Taylor Ellison, o Gabinete do Xerife do Condado de Clay, na Flórida, recebeu o telefonema que a família da vítima esperava há décadas. Do outro lado da linha estava Gary Glowacz, de 70 anos, que afirmou querer "esclarecer as coisas".

Segundo relata a CNN Portugal, Glowacz disse a um sargento do condado de Clay que tinha agredido Melissa Ellison, na altura com 20 anos, com um pedaço de madeira durante um assalto em que procurava dinheiro para comprar droga. A vítima foi encontrada morta no seu quarto a 28 de dezembro de 1987, pelas suas duas colegas de quarto. A filha, Casie, com 13 meses, estava a chorar na sala de estar.

O Instituto Médico-Legal determinou que a causa da morte foi traumatismo craniano provocado por objeto contundente. Durante a investigação inicial, nenhuma detenção foi efetuada.

O que Glowacz contou aos detetives

De acordo com o relatório da detenção, Glowacz explicou à Unidade de Casos Arquivados do Gabinete do Xerife de Jacksonville que, em março de 2025, se tinha deparado com um artigo de jornal sobre o caso e percebeu então que era o responsável pela morte de Ellison.

Glowacz morava a apenas 800 metros da residência da vítima. No dia em que ela foi encontrada morta, já tinha sido detido por suspeita de um roubo distinto. Segundo o relato que prestou aos detetives, entrou na casa através de uma janela e encontrou Melissa deitada na cama com a filha Casie. Bateu-lhe uma vez na cabeça com um pedaço de madeira que encontrou na casa, colocou a bebé no sofá da sala e voltou ao quarto à procura de dinheiro debaixo do colchão.

Os detetives registaram que Glowacz descreveu pormenores da cena do crime que nunca tinham sido tornados públicos e que não constavam do artigo que ele havia lido. Questionado sobre o motivo de confessar décadas mais tarde, afirmou que só tinha tomado conhecimento da morte da vítima quando leu essa reportagem.

Glowacz foi acusado de homicídio em segundo grau e de roubo à mão armada com agressão ou violência física. Encontra-se detido sem fiança na prisão do condado de Duval. O seu advogado e o procurador do Ministério Público recusaram-se a comentar.

A filha que cresceu sem saber quem matou a mãe

Casie Ellison foi a primeira pessoa a quem os detetives ligaram na noite da detenção de Glowacz. "Foi exatamente como eu esperava que fosse, sempre que imaginava que isto pudesse acontecer", afirmou.

Durante anos, Casie disse ter sentido a necessidade de se retrair e reprimir as emoções relacionadas com a morte da mãe. Cerca de 25 anos após o homicídio, essas emoções vieram à tona quando percebeu que a sua própria filha tinha atingido a mesma idade que ela tinha quando Melissa morreu. "Percebi que esta é uma pequena Casie. Estava a ver-me a mim própria", contou.

As tias de Casie, Glenda Blandford e Sissy Bennett, que tinham 17 e 15 anos, respetivamente, quando a irmã foi assassinada, foram as duas pessoas seguintes a receber o telefonema dos investigadores. "No fundo do meu coração, no fundo da minha mente, eu sabia que era isto mesmo. Algo tinha acontecido", disse Bennett.

Décadas de pistas sem resultado

Blandford e Bennett descrevem os anos de desilusões que a família atravessou. Os pais de Melissa seguiram todas as pistas que conseguiam encontrar, levando-as ao Gabinete do Xerife de Jacksonville para investigação, sem sucesso. "Levei a minha mãe tantas vezes até ao gabinete do xerife. Vi tudo o que ela passou e tive de ser a mais forte", recordou Blandford. "E assisti a cada desilusão, assisti a cada réstia de esperança."

Em 2019, a mãe das três irmãs, Catherine Taylor, faleceu sem saber o que aconteceu na noite em que Melissa foi morta.

Um ano antes, um amigo de Bennett apresentou o caso à Project: Cold Case, uma organização sem fins lucrativos que apoia famílias de vítimas de homicídios não resolvidos. A organização criou um site dedicado ao caso com toda a informação que a família tinha reunido ao longo dos anos.

Em janeiro de 2026, seis meses antes da confissão de Glowacz, a Project: Cold Case e a família de Ellison participaram numa conferência de imprensa com a First Coast Crime Stoppers. "Alguém sabe exatamente o que aconteceu naquela noite. Alguém se lembra de um pormenor que nunca foi revelado", afirmou Casie Ellison na ocasião. "Alguém tem vivido com este conhecimento há quase quatro décadas."

Xerife atribui resolução do caso à conferência de imprensa

Em julho, o Gabinete do Xerife de Jacksonville indicou que o sucesso da investigação ficou a dever-se em parte à conferência de imprensa realizada em janeiro, salientando que algumas das informações divulgadas nessa altura contribuíram para a posterior detenção.

"Embora esta prisão não possa preencher o enorme vazio deixado nos corações dos entes queridos de Melissa Ellison, espero que esta detenção seja mais um passo no processo de cura", declarou o xerife T.K. Waters.

Após quase 40 anos sem respostas, a detenção representa um momento que a família aguardou durante toda a vida — embora Blandford, Bennett e Casie Ellison tenham de continuar agora a enfrentar o processo judicial que se segue.

Source: CNN Portugal