Itália reabre investigação sobre morte de Pasolini 51 anos depois

O Ministério Público de Roma retomou as apurações sobre o assassinato do cineasta Pier Paolo Pasolini, morto em novembro de 1975 em Ostia. Novas imagens, provas e uma testemunha motivaram o pedido de reabertura.

Ministério Público de Roma retoma caso Pasolini após cinco décadas

O Ministério Público de Roma reabriu a investigação sobre a morte do escritor e cineasta Pier Paolo Pasolini, mais de meio século após o seu assassinato. Pasolini foi morto na madrugada de 1 para 2 de novembro de 1975, em Ostia, zona litoral da capital italiana. A informação foi avançada por agendadopoder.com.br.

A retomada das apurações resulta de um pedido do advogado Stefano Maccioni, que alega dispor de novas imagens, evidências e de uma testemunha inédita — cuja identidade não foi revelada. Para Maccioni, os elementos recolhidos indicam que Pino Pelosi, o único condenado pelo crime, não estava sozinho no local naquela noite.

Pelosi tinha 17 anos e trabalhava como garoto de programa quando confessou o homicídio. Condenado em 1976, declarou inicialmente ter matado Pasolini porque o cineasta tentara abusar sexualmente dele. Em 2005, porém, apresentou uma versão diferente: o artista teria sido espancado até à morte por um grupo de criminosos que pretendia "dar-lhe uma lição", e Pelosi afirmou ter sido pressionado a confessar. Obteve liberdade condicional em 1983 e morreu de cancro em 2017, aos 58 anos.

A contradição entre os dois relatos alimentou, ao longo das décadas, questionamentos sobre a possível participação de outras pessoas e sobre os motivos reais do crime. Parte dos admiradores e historiadores aponta para uma eventual motivação política ou para um crime de ódio — Pasolini era abertamente homossexual, comunista, e conhecido pelas críticas incisivas que dirigia à sociedade italiana.

Maccioni pediu publicamente a colaboração de quem disponha de informações sobre o assassinato. "Confiamos que o Ministério Público de Roma finalmente poderá fornecer as respostas que vêm buscando há muitos anos", afirmou o advogado. "Ao mesmo tempo, apelo a todos aqueles que optaram por permanecer em silêncio sobre o que sabem até agora a manifestarem-se e a falarem."

Pasolini deixou uma obra extensa como poeta, romancista e comentarista político. Na cinematografia, destacam-se Mamma Roma (1962), O Evangelho Segundo São Mateus (1964) e a adaptação de Édipo Rei, clássico de Sófocles, lançada em 1967. O seu último longa-metragem, Salò, ou os 120 Dias de Sodoma, estreou postumamente em 1975 e permanece como uma das obras mais controversas do seu legado, recorrentemente citada nos debates sobre a sua herança artística.

Source: Google News PT — Crime (pt)

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