Casal acusa-se mutuamente em julgamento por homicídio de idoso em Aljustrel

Um casal de 40 anos começou a ser julgado no Tribunal de Beja pelo roubo, sequestro e homicídio de um idoso de 80 anos. Cada arguido atribui ao outro a autoria das agressões.

Casal acusa-se mutuamente em julgamento por homicídio de idoso em Aljustrel

Versões contraditórias no julgamento pelo homicídio do idoso de Jungeiros

Um homem e uma mulher, ambos com 40 anos, apresentaram versões opostas no Tribunal de Beja sobre quem agrediu e matou um idoso de 80 anos em Aljustrel, em janeiro. Segundo a CNN Portugal, na primeira sessão do julgamento, os dois arguidos aceitaram prestar declarações e cada um atribuiu ao outro a autoria das agressões.

O homem afirmou estar "arrependido de não ter chamado a GNR e os bombeiros" e acusou a ex-companheira de ter golpeado "duas ou três vezes" o idoso na cabeça com um ferro, antes de ambos o lançarem para o interior de um poço. A arguida, por sua vez, sustentou que foi o ex-marido quem "deu pancadas com uma pistola" na cabeça da vítima — tanto na habitação do idoso, na aldeia de Jungeiros, como junto ao poço onde o homem acabou por ser abandonado.

O relato do arguido

Nas suas declarações, o arguido contou que naquele dia se encontrou com a ex-mulher em Montes Velhos, apesar de ter uma proibição de contacto no âmbito de um processo de violência doméstica. Segundo disse, foi a pedido dela que a acompanhou, com o propósito de levar o idoso ao hospital no automóvel da própria vítima, que teria um golpe na cabeça.

A caminho do hospital de Beja, pararam junto a um poço situado perto da Estrada Nacional 2 (EN2), na zona de Ervidel, no mesmo concelho. O arguido disse que pararam "para urinar" e porque a vítima se queixou que "estava maldisposta". Foi então que, segundo o homem, a ex-companheira golpeou o idoso com um ferro.

O arguido admitiu ter ajudado a abrir a tampa do poço e a empurrar a vítima para o seu interior, mas disse que ficou "em pânico" por conhecer o idoso desde criança. Alegou que a mulher "dizia que queria roubar o dinheiro" da vítima. Depois do ocorrido, seguiram para Ferreira do Alentejo, onde ficou sozinho a consumir droga e álcool para "esquecer o que tinha acontecido".

A versão da arguida

A mulher apresentou um relato diferente. Disse que, naquele dia, se encontrava em casa da vítima, em Jungeiros, quando o arguido saltou o muro do quintal e entrou num anexo, agredindo o idoso com uma pistola. "Tentei ativar o botão de pânico, mas não tinha bateria", declarou perante o coletivo de juízes.

Segundo a arguida, o ex-marido ordenou que os dois entrassem no carro da vítima e conduziram até Montes Velhos, onde consumiram droga. Já junto ao poço perto de Ervidel, quando o idoso saiu do veículo para urinar — e "estava a sangrar muito" —, a mulher disse ter visto o ex-companheiro desferir "mais pancadas na cabeça", abrir a tampa do poço e atirar o octogenário para o interior.

Alegou ainda que foi fechada na bagageira do automóvel pelo arguido, que abandonou o veículo em Ferreira do Alentejo. Na manhã seguinte, partiu o vidro do carro para sair e regressou a Jungeiros, tendo mais tarde contactado a GNR.

Acusação e próximos passos

Segundo o Ministério Público, em 16 de janeiro, os dois arguidos deslocaram-se à habitação do idoso em Jungeiros, onde o homem o golpeou na cabeça com um objeto com lâmina. Ambos, habituais consumidores de droga, apoderaram-se de dinheiro e das chaves do carro da vítima, colocando-a na bagageira do automóvel. Percorreram depois várias localidades da zona para comprar e consumir crack.

Na madrugada seguinte, dirigiram-se ao poço perto de Ervidel, partiram o cadeado da tampa metálica, lançaram a vítima para o interior, voltaram a colocar a cobertura e abandonaram o local.

O casal, que chegou a viver em união de facto e se encontra em prisão preventiva, está acusado, cada um, de um crime de homicídio qualificado, um crime de roubo e um crime de sequestro agravado. O arguido enfrenta ainda uma acusação adicional por tentativa de roubo ocorrida na mesma noite.

Na sessão desta terça-feira foram também ouvidas várias testemunhas. Para quarta-feira está prevista a audição da última testemunha e as alegações finais. A advogada da arguida, Rita Moleiro, reservou declarações para após a decisão do tribunal. A defensora do arguido, Margarida Godinho Costa, admitiu que "não vai ser fácil extrair as culpas e individualizar a ação de cada" arguido, apelando a que "a justiça seja imparcial, ponderada e atue com rigor na averiguação das responsabilidades individuais".

Source: CNN Portugal

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