Gang brasileiro ligado ao PCC rouba quase um milhão de euros e foge de Portugal sem extradição

Uma rede de assaltos a bancos liderada por brasileiros roubou cerca de um milhão de euros em Portugal e regressou ao Brasil após ser libertada por excesso de prazo.

Gang brasileiro ligado ao PCC rouba quase um milhão de euros e foge de Portugal sem extradição

Chefe do gang libertado por excesso de prazo e regressa ao Brasil com o dinheiro roubado

Ediel Nery chefiou em Portugal uma rede de assaltos a bancos que, em pouco mais de um ano, acumulou cerca de um milhão de euros em roubos com recurso a armas de fogo e violência física, noticia o Correio da Manhã. O grupo, composto por cidadãos brasileiros e alegadamente ligado ao PCC — Primeiro Comando da Capital —, já regressou ao Brasil depois de ter sido libertado em outubro por excesso de prazo de prisão preventiva.

A decisão que permitiu a saída do gang de Portugal não foi tomada pelo juiz responsável dentro dos prazos legais. Com a prisão preventiva esgotada sem sentença, os arguidos recuperaram a liberdade. E como entre Portugal e o Brasil não existe um regime de extradição aplicável neste contexto, o grupo pôde regressar ao país de origem sem qualquer consequência judicial imediata.

Violência como método e silêncio como regra

Os membros da rede operavam sob uma regra clara: quem traísse o grupo seria executado. Nenhum o fez. Essa lealdade forçada garantiu a coesão do gang durante toda a operação criminosa e ao longo do período de detenção em Portugal.

Com o dinheiro roubado, os elementos do grupo compraram automóveis de luxo e enviaram milhares de euros para o Brasil enquanto ainda se encontravam em atividade. As instituições bancárias foram o alvo sistemático, sempre com ameaça de arma de fogo e recurso a violência contra funcionários e clientes presentes.

Um ano e quatro meses de prisão preventiva, depois a liberdade

O gang foi detido pelas autoridades portuguesas, mas permaneceu em prisão preventiva durante um ano e quatro meses sem que o processo avançasse para julgamento dentro dos prazos. A lei portuguesa estabelece limites máximos para a duração da prisão preventiva — quando esses limites são ultrapassados sem decisão judicial, os arguidos têm direito a ser libertados.

Foi precisamente esse mecanismo legal que permitiu a saída dos elementos do gang. Em outubro, sem sentença condenatória, Nery e os seus comparsas deixaram os estabelecimentos prisionais portugueses.

Regresso ao Brasil sem consequências imediatas

A ausência de um tratado de extradição eficaz entre Portugal e o Brasil para estas situações tornou impossível a retenção dos arguidos ou a sua entrega às autoridades brasileiras por crimes cometidos em Portugal. O grupo regressou ao Brasil, onde poderá usufruir dos lucros obtidos com os assaltos, sem que qualquer mecanismo de cooperação judiciária tenha impedido esse desfecho.

O caso levanta questões sobre os limites dos prazos processuais e sobre a eficácia dos instrumentos de cooperação internacional em matéria penal quando os suspeitos são nacionais de países fora do espaço europeu.

Source: Correio da Manhã

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