Homem solto após 41 anos no corredor da morte em Utah com auxílio de DNA

Douglas Carter, 71 anos, foi libertado sob fiança após teste de DNA não confirmar vínculo com assassinato de 1985. Suprema Corte de Utah determinou novo julgamento por má conduta de investigadores.

Homem solto após 41 anos no corredor da morte em Utah com auxílio de DNA

Teste de DNA derruba condenação de homem preso há 41 anos por assassinato em Utah

Douglas Stewart Carter, de 71 anos, foi solto sob fiança na última segunda-feira após passar mais de quatro décadas no corredor da morte nos Estados Unidos, conforme relata bbc.com. Promotores informaram que uma nova análise de DNA não encontrou qualquer ligação entre Carter e o assassinato pelo qual ele havia sido condenado.

Carter foi preso em 1985 pelo assassinato de Eva Olesen, em Provo, Utah. Olesen, tia de um chefe de polícia local, foi esfaqueada várias vezes e baleada na nuca dentro de sua própria casa, em fevereiro daquele ano. A faca encontrada próxima ao corpo era de uso doméstico; a arma de fogo nunca foi localizada na cena do crime.

Natural de Chicago, Carter morava com a mãe em Utah na época do crime. Suspeitando que ele estava envolvido em outro caso não relacionado, a polícia o rastreou até Nashville, Tennessee, onde assinou uma confissão — que Carter sempre afirmou ter sido obtida sob coerção. Sem evidências físicas que o ligassem à cena, o júri o condenou à morte com base na confissão e no depoimento de duas testemunhas que afirmaram tê-lo ouvido se vangloriar do crime.

Em 2011, essas mesmas testemunhas recuaram e declararam que haviam sido instruídas a mentir em tribunal, recebido dinheiro e presentes da polícia, e ameaçadas de deportação caso não depusessem contra Carter.

Após mais de uma década de batalhas judiciais, a Suprema Corte de Utah ordenou um novo julgamento no ano passado, citando má conduta dos investigadores. Um juiz concedeu a liberdade sob fiança a Carter nesta semana, impondo o uso de monitoramento por GPS como condição.

Os advogados de Carter, que é negro, argumentam ainda que testemunhas viram um homem branco fugindo da cena e que um investigador teria ocultado evidências que apontavam para Orla Olesen, marido da vítima — que morreu em 2009. Segundo a defesa, promotores chegaram a considerar indiciá-lo, mas um policial pediu que aguardassem para continuar investigando.

O elemento mais recente foi decisivo: análises de DNA realizadas neste mês excluíram Carter como correspondência para o sangue encontrado em uma maçaneta e para o material genético recuperado do cabo da faca.

A libertação ocorreu contra a vontade da família de Olesen. Theresa Olesen, nora da vítima, manifestou "sérias preocupações" durante a audiência de fiança e defendeu que Carter permanecesse preso até o novo julgamento. "Caramba, nós esperávamos por uma correspondência concreta", disse ela sobre os resultados do DNA. "Isso não significa que ele não estava lá."

O advogado de defesa Neal Hamilton rebateu com dureza. "Se dependesse do estado de Utah, ele teria sido executado há 15 ou 20 anos, antes de descobrirmos a má conduta", afirmou Hamilton à Associated Press.

Source: Google News BR — Crime