SP bloqueia R$ 10,8 bi em nova fase da Operação Carbono Oculto contra fraude fiscal
A PGE-SP atingiu 32 novos alvos, incluindo fundos de investimento e empresas, com medidas de indisponibilidade de R$ 10,8 bilhões por ocultação patrimonial.

Procuradoria de SP expande bloqueio bilionário contra esquema de ocultação no mercado financeiro
A Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP) ampliou sua ofensiva judicial contra a fraude fiscal estruturada, atingindo 32 novos alvos com medidas de indisponibilidade na ordem de R$ 10,8 bilhões, informa agenciasp.sp.gov.br. Entre os alcançados estão fundos de investimento, empresas atuantes no mercado financeiro e pessoas físicas e jurídicas investigadas por participação em esquemas de blindagem patrimonial.
A ação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, cujas investigações identificaram o uso de instrumentos financeiros para afastar ativos do alcance dos credores e comprometer a cobrança tributária do Estado.
Rede complexa de fundos e empresas interpostas
Segundo as investigações, os suspeitos utilizaram uma rede de fundos de investimento, instituições financeiras, administradores de recursos, gestores e sociedades empresárias interpostas para fragmentar artificialmente a titularidade de ativos. O mecanismo dificultava a identificação dos efetivos beneficiários: recursos e participações societárias circulavam entre diferentes veículos financeiros, formalmente apresentados como entidades independentes, mas submetidos a estruturas de controle econômico convergentes.
A PGE-SP afirma que o enfrentamento da fraude fiscal contemporânea exige reconstruir os vínculos efetivos de controle e disponibilidade dos ativos, distinguindo operações legítimas de arranjos deliberadamente destinados à frustração de credores.
Operação deflagrada após dois anos de investigação
A Operação Carbono Oculto foi deflagrada oficialmente em agosto de 2025, após investigações iniciadas em 2023. A ação mobilizou mais de 1.400 agentes da Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público de São Paulo e Governo do Estado de São Paulo.
O alvo era uma estrutura que dominava o setor de combustíveis, abrangendo usinas, distribuidoras e mais de 1.000 postos de gasolina. A organização utilizava adulteração de produtos, fraudes fiscais e empresas de fachada para financiar suas atividades, em um esquema com sonegação fiscal estimada em mais de R$ 7,6 bilhões.
A nova fase da operação representa, segundo a PGE-SP, um avanço na estratégia de recuperação de créditos tributários, ao direcionar a atuação jurídica não apenas aos devedores formalmente identificados, mas também às estruturas econômicas montadas para proteger o patrimônio da cobrança judicial.
Source: Google News BR — São Paulo