Diretor financeiro da PJ afastado após polémico caso do atrelado da Operação Pacoba

Álvaro Pires foi afastado do cargo após a PJ decidir não renovar a sua comissão de serviço. O próprio admitiu ter sugerido entregar o atrelado à Construbarcelos, empresa ligada a Luís Neves.

Diretor financeiro da PJ afastado após polémico caso do atrelado da Operação Pacoba

Afastamento na PJ: Álvaro Pires deixa direção financeira após caso do atrelado

O diretor financeiro da Polícia Judiciária (PJ), Álvaro Pires, foi afastado do cargo depois de a instituição ter decidido não renovar a sua comissão de serviço. Segundo tvi.iol.pt, o próprio Pires também solicitou não continuar em funções durante o período transitório.

De acordo com o atual ministro da Administração Interna, foi o próprio Álvaro Pires quem sugeriu que o atrelado apreendido no âmbito da Operação Pacoba ficasse à guarda da Construbarcelos — empresa de um amigo de Luís Neves, à data diretor nacional da PJ. A sugestão foi posteriormente validada por Neves, invocando falta de alternativas.

A Construbarcelos é a mesma empresa que realizou obras na residência que Luís Neves possui no Alentejo, propriedade onde teve origem toda a polémica, inicialmente relacionada com um tanque que viria a revelar-se uma piscina.

Internamente, Álvaro Pires assumiu ter sido sua a iniciativa de entregar, de forma provisória, a guarda do atrelado com bidões de produtos químicos ao empreiteiro João Carvalho. O próprio justificou a decisão como a melhor solução transitória para os interesses do Estado em setembro de 2025, de acordo com a CNN Portugal.

A transferência do material para a Construbarcelos foi motivada por um conjunto de constrangimentos operacionais: a Marinha exigiu a retirada imediata do reboque dos seus terrenos no Seixal, alegando risco de incêndio devido à exposição dos produtos químicos; o parque da PJ em Tires encontrava-se sobrelotado; e o único orçamento recebido para a destruição dos químicos ascendia a 144 mil euros — verba de que a PJ não dispunha.

É ainda Álvaro Pires quem está na origem da confusão em torno daquele valor de 144 mil euros. O montante, que terá servido de justificação para a transferência do material, referia-se afinal ao conjunto de toda a Operação Pacoba e não apenas à destruição do atrelado em questão.

A PJ confirmou oficialmente a saída de Álvaro Pires numa nota de esclarecimento, acrescentando que também o diretor de Serviços de Inovação e Desenvolvimento deixará o cargo.

Source: Google News PT

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