Christa Pike sobrevive a execução nos EUA: sete outros casos de injeção letal falhada

Pela primeira vez, uma condenada à morte nos EUA sobreviveu a duas doses de pentobarbital. O caso reacende o debate sobre execuções falhadas por injeção letal.

Christa Pike sobrevive a execução nos EUA: sete outros casos de injeção letal falhada

Christa Pike e os oito casos em que a injeção letal falhou nos Estados Unidos

Pela primeira vez na história das execuções nos Estados Unidos, uma pessoa sobreviveu às duas doses de droga letal administradas durante o processo de execução. O caso de Christa Pike, a única mulher a ser levada à execução no Tennessee em 200 anos, levou o governador Bill Lee a suspender todas as execuções no estado pelo resto do ano, para apurar o que terá ocorrido. Segundo o observador.pt, outros sete condenados já tinham escapado à injeção letal porque as equipas responsáveis não conseguiram encontrar veias para administrar o fármaco.

A informação provém do Death Penalty Information Center, organização que reúne investigação e estatísticas sobre a pena de morte nos EUA. Robin M. Maher, diretora executiva do centro, classificou em declarações à CNN a experiência de Pike como "singular e sem paralelos": a mulher foi a única a receber as duas doses de pentobarbital previstas na lei e ainda assim permanecer viva. Pike foi transportada para um hospital e não foram divulgados detalhes sobre o seu estado de saúde.

Três por cento das execuções consideradas malsucedidas

De acordo com o Death Penalty Information Center, 3% das execuções registadas entre 1890 e 2010 foram malsucedidas — envolvendo "problemas ou atrasos imprevistos que causaram, pelo menos possivelmente, sofrimento desnecessário ao prisioneiro ou que refletem grave incompetência do executor". O levantamento do organismo, a partir da década de 1970, aponta para 64 casos: três por asfixia, dez por eletrocussão e 51 por injeção letal, dos quais sete resultaram na sobrevivência do condenado.

Tony Carruthers — Tennessee, maio de 2026

O caso mais recente antes de Pike ocorreu a 21 de maio de 2026, também no Tennessee. Tony Carruthers, 57 anos, teve o primeiro acesso intravenoso colocado após 15 minutos de tentativas, mas o protocolo exigia uma segunda via de segurança. As tentativas para localizar uma segunda veia prolongaram-se por mais de uma hora e meia, até o Departamento Correcional optar por interromper a execução. Carruthers regressou à cela e o governador Bill Lee concedeu um adiamento de um ano.

Carruthers foi condenado em 1996 pelos sequestros e assassinatos de três pessoas cometidos em 1994: Marcellos Anderson, a sua mãe Delois Anderson, e Frederick Tucker. As autoridades alegaram que Marcellos Anderson era traficante de drogas e que Carruthers pretendia assumir o controlo do comércio ilegal no bairro em Memphis. O homem foi obrigado a representar-se a si próprio em julgamento, depois de criticar os advogados nomeados pelo tribunal. A condenação assentou principalmente em depoimentos de testemunhas que afirmavam ter ouvido Carruthers confessar os crimes, sem provas físicas a ligá-lo às mortes, segundo a Associated Press. A revista The Atlantic destaca que Carruthers sempre manteve a inocência e que os procuradores basearam o caso em depoimentos de informadores pagos.

Thomas Creech — Idaho, fevereiro de 2024

Thomas Creech foi levado à execução no Idaho a 28 de fevereiro de 2024, mas regressou à cela depois de 58 minutos de tentativas falhadas, com cateteres inseridos nos braços, pernas, mãos e pés em oito tentativas distintas. Uma nova data foi agendada para novembro do mesmo ano, mas dias antes um juiz federal concedeu uma suspensão por tempo indeterminado.

Creech, 73 anos, é a pessoa há mais tempo no corredor da morte no Idaho. Foi condenado pela primeira vez em 1975 e considerado assassino em série, com cinco homicídios em três estados. De acordo com um parecer de 1993 da Suprema Corte dos EUA, citado pela ABC News, a juíza responsável escreveu que "Creech admitiu ter matado ou participado do assassinato de pelo menos 26 pessoas". O último homicídio pelo qual assumiu responsabilidade ocorreu em 1981, já dentro de uma prisão de segurança máxima no Idaho: Creech matou David Dale Jensen, de 23 anos, um colega de cela com deficiência, espancando-o com uma meia cheia de baterias, segundo a acusação.

Kenneth Smith — Alabama, novembro de 2022

A 17 de novembro de 2022, após cerca de uma hora e 20 minutos de tentativas, as autoridades no Alabama determinaram que não conseguiriam localizar um segundo acesso intravenoso dentro do prazo do mandado de execução, restando 39 minutos. Os advogados de Kenneth Smith afirmaram que o homem foi mantido preso à maca durante quatro horas e teve os braços e mãos perfurados por agulhas várias vezes. Smith teve a execução adiada e tornou-se o primeiro condenado a ser executado por nitrogénio, a 25 de janeiro de 2024.

Smith foi condenado à morte pelo assassinato de Elizabeth Sennett, em 1988, a mando do marido desta, Charles Sennett, que pretendia receber uma indemnização com a morte da mulher. Smith e um cúmplice, John Forrest Parker, receberam mil dólares cada um para executar o crime. Charles Sennett suicidou-se uma semana após o homicídio, quando era investigado pelas autoridades. Parker foi também condenado à morte e executado em 2010.

Alan Eugene Miller — segundo executado por hipóxia de nitrogénio

Alan Eugene Miller, condenado à morte em 2000, foi a segunda pessoa a ser executada por hipóxia por nitrogénio, método autorizado pelo Alabama em 2018 como alternativa à injeção letal, após a sua própria execução por injeção letal ter falhado. O caso integra o mesmo padrão documentado pelo Death Penalty Information Center: falhas repetidas no acesso intravenoso que resultaram na suspensão do procedimento inicial.

Debate reaberto após caso Pike

O caso de Christa Pike distingue-se de todos os anteriores por um elemento concreto: as duas doses de pentobarbital foram administradas com sucesso, mas a condenada sobreviveu. Nos restantes sete casos documentados, a execução foi interrompida antes de qualquer fármaco ser injetado, precisamente pela incapacidade de estabelecer o acesso intravenoso. A suspensão decretada pelo governador do Tennessee visa determinar as causas da falha e avaliar os procedimentos em vigor no estado.

Source: Google News PT — Crime (pt)