Julgamento de Lindsay Clancy anulado em Plymouth após júri dividido; novo processo é esperado
O juiz William Sullivan declarou o júri bloqueado no sétimo dia de deliberações, após 11 dos 12 jurados votarem pela absolvição. Lindsay Clancy enfrenta pena de prisão perpétua.
Júri bloqueado em Plymouth abre caminho a novo julgamento de Lindsay Clancy
O tribunal de Plymouth, perto de Boston, declarou esta semana a anulação do julgamento de Lindsay Clancy, acusada do assassinato dos seus três filhos, depois de o júri não ter conseguido chegar a um veredicto unânime ao fim de sete dias de deliberações, noticia dnoticias.pt.
O juiz William Sullivan anunciou a decisão no início da tarde, hora local, quando a audiência foi retomada. "Declararei o júri bloqueado e declararei anulado o julgamento", afirmou, agradecendo aos jurados por terem cumprido o seu "dever" como cidadãos.
A defesa tinha contestado a decisão junto do tribunal de recurso, mas este confirmou a posição do juiz Sullivan. A anulação deixa o caso sem resolução e permite que os procuradores avancem com um novo processo contra a acusada.
Segundo informações que circularam durante as trocas entre o juiz, a defesa e a acusação, o júri estava dividido entre 11 jurados favoráveis à absolvição — com base na falta de responsabilidade criminal de Clancy — e um único jurado contra esse veredicto. A unanimidade dos 12 elementos é exigida para que um veredicto seja válido.
Lindsay Clancy, de 36 anos, admite os factos mas declara-se inocente. A defesa alega que a acusada sofria de psicose pós-parto no momento dos crimes e que uma voz lhe ordenou que matasse os filhos. A acusação rejeita esse argumento, sustentando que Clancy planeou os homicídios e tinha consciência dos seus atos.
A mulher, que está numa cadeira de rodas após ter tentado suicidar-se depois do triplo infanticídio, enfrenta pena de prisão perpétua pelo assassinato dos filhos com 5 anos, 3 anos e 8 meses de idade.
O caso gerou forte mediatismo nos Estados Unidos e desencadeou um debate público alargado sobre a saúde mental das mães. No banco das testemunhas desfilaram psiquiatras, familiares e o ex-marido da acusada, pai das crianças, que descreveram o sofrimento vivido por Clancy.
Durante semanas, dezenas de mulheres juntaram-se à porta do tribunal em sinal de apoio à acusada, esperando que o processo contribua para uma maior consciencialização sobre a psicose pós-parto — perturbação que, segundo grupos de defesa dos direitos das mulheres, afeta uma a duas mulheres em cada mil partos.
Parte da opinião pública manifestou-se, porém, indignada com a violência dos crimes e com o apoio público recebido por Clancy. Com a anulação confirmada pelo tribunal de recurso, o caso aguarda agora uma decisão dos procuradores sobre se avançarão para um novo julgamento.
Source: Google News PT — Crime (pt)