Programa federal leva combate ao crime organizado e crimes ambientais à Amazônia

O governo federal lança iniciativa integrada em 42 municípios de seis estados amazônicos para enfrentar narcotráfico, garimpo ilegal e violência armada.

Programa federal leva combate ao crime organizado e crimes ambientais à Amazônia

Operação integrada em seis estados visa desmantelar facções e proteger a floresta

O governo federal lançou o programa "Brasil Contra o Crime Organizado" voltado à Amazônia, reunindo forças de segurança de seis estados para enfrentar simultaneamente narcotráfico, garimpo ilegal, crimes ambientais e violência armada. Conforme gov.br, a iniciativa atua em sete regiões prioritárias e abrange 42 municípios do Acre, Amazonas, Pará, Maranhão, Mato Grosso e Paraná.

O ministro Wellington Lima defendeu a lógica da ação coordenada durante a abertura do evento. "Por décadas, cada estado enfrentou o crime do seu jeito, com os seus recursos, nas suas divisas. O problema é que o crime nunca respeitou limite nenhum. Enquanto os estados agiam separados, as facções atuavam em rede", disse o ministro. Lima acrescentou que, pela primeira vez, o Estado atuará de forma conjunta e simultânea, com um plano unificado.

Quatro eixos estruturantes

Coordenado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), o programa recebe o nome de "Território Seguro, Amazônia Soberana" e se organiza em quatro pilares: diagnóstico territorial com produção de inteligência; repressão qualificada contra as estruturas financeiras e logísticas do crime organizado; prevenção e acesso a direitos para populações vulneráveis; e promoção de alternativas econômicas sustentáveis nos territórios prioritários.

A secretária nacional Marta Machado afirmou que o programa rompe com uma tradição de políticas fragmentadas na região. "Por muito tempo, a Amazônia foi tratada por políticas fragmentadas: ora pela agenda socioambiental, ora pela agenda de segurança pública, ora pela agenda de desenvolvimento econômico, como se essas dimensões pudessem ser pensadas separadamente", disse Machado. Segundo ela, repressão qualificada, proteção ambiental e garantia de direitos precisam caminhar juntos.

Tecnologia e descapitalização do crime

O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, destacou o papel da tecnologia e da informação no combate ao crime organizado, com ênfase na infraestrutura portuária da região, identificada como vetor de avanço das facções. "A proposta é que os estados não atuem de forma isolada, mas em conjunto com o Governo Federal", afirmou Lucas.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, anunciou que o programa elevará o patamar do enfrentamento ao crime por meio da descapitalização das organizações criminosas. Rodrigues informou que, somente no ano passado, as operações da PF retiraram R$ 10 bilhões do crime organizado.

Participaram ainda do evento o secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Ademar Borges; o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena; e o diretor-executivo da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Alberto Raposo Neto.

Balanço do Plano Amas e metas para 2026

Durante o encontro, o MJSP apresentou os resultados do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Amas), política em vigor desde 2023 para o enfrentamento ao crime organizado e aos crimes ambientais na região. Foram debatidas perspectivas de fortalecimento da iniciativa, entre elas a institucionalização de contrato com o BNDES/Fundo Amazônia para financiamento das ações e suplementação orçamentária destinada aos estados.

O Comitê Gestor do Plano Amas realizou reunião deliberativa em que discutiu o Plano Estratégico Integrado da BR-319 e os Planos Operacionais Integrados dos estados da Amazônia Legal para 2026. As metas para o próximo ano concentram-se em três frentes: controle estratégico da BR-319, com foco no combate ao garimpo, à grilagem e às queimadas; integração dos planos operacionais estaduais; e fortalecimento das ações contra o crime organizado no Pantanal.

Índice de vulnerabilidade em territórios indígenas

O evento também marcou o lançamento do Índice de Vulnerabilidade ao Crime Organizado: Territórios Indígenas (IVCO-TI), desenvolvido pelo Centro de Estudos sobre Drogas e Desenvolvimento Social Comunitário (Cdesc). O índice resulta de parceria entre a Senad/MJSP, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e tem como objetivo orientar decisões estratégicas de proteção às comunidades indígenas mais expostas à infiltração de organizações criminosas.

Source: Google News BR — Crime

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