MP pede pena máxima de 25 anos para casal acusado de matar idoso em Aljustrel

O Ministério Público pediu pena próxima dos 25 anos para o casal julgado em Beja por roubo, sequestro e homicídio de um idoso de 80 anos. Leitura do acórdão marcada para 17 de novembro.

MP pede pena máxima de 25 anos para casal acusado de matar idoso em Aljustrel

Alegações finais no julgamento do homicídio de idoso em Aljustrel: MP pede pena máxima

O Ministério Público defendeu, esta quarta-feira, a condenação do casal a julgamento no Tribunal de Beja por roubo, sequestro e homicídio de um idoso de 80 anos, pedindo uma pena próxima do limite máximo de 25 anos de prisão. Segundo o Observador, as advogadas dos dois arguidos confirmaram o pedido do MP após o final da sessão matinal.

O coletivo de juízes marcou a leitura do acórdão para o dia 17 de novembro, às 14h00, informaram as defensoras à agência Lusa.

Arguidos com versões contraditórias

Rita Moleiro, advogada da arguida, argumentou que a sua constituinte "não teve intervenção" nos crimes, aludindo ao "facto de ter estado presente sob ameaça do arguido". A defensora requereu a absolvição da mulher, invocando o princípio do in dubio pro reo — na dúvida, a favor do réu.

Margarida Godinho Costa, defensora do homem, salientou que a versão do seu constituinte não coincide com a da ex-companheira. O arguido alega que não agrediu o idoso e que foi a mulher quem o fez, à exceção de o terem lançado para o interior de um poço.

"O arguido tem atenuantes, como arrependimento, a colaboração com as autoridades e o facto de viver numa zona referenciada pelo alto consumo de drogas. Está profundamente arrependido. Foi arrastado para uma situação que se descontrolou", declarou Godinho Costa.

O que aconteceu na primeira sessão

Na sessão de terça-feira, o arguido acusou a ex-companheira de ter batido "duas ou três vezes" com um ferro na cabeça do idoso antes de o atirarem para o poço. A arguida, por sua vez, afirmou que o ex-marido "deu pancadas com uma pistola" na cabeça da vítima — tanto na casa do idoso, na aldeia de Jungeiros, no concelho de Aljustrel, como junto ao poço —, negando qualquer intervenção da sua parte.

Os factos da acusação

O casal, ambos com 40 anos e em prisão preventiva, viveu em união de facto. Cada um está acusado de um crime de homicídio qualificado, um crime de roubo e um crime de sequestro agravado.

De acordo com o Ministério Público, em 16 de janeiro deste ano, os dois deslocaram-se à casa do vizinho de 80 anos, na aldeia de Jungeiros, onde o arguido o golpeou na cabeça com um objeto com lâmina. Consumidores habituais de droga, os dois apropriaram-se de dinheiro e das chaves do automóvel da vítima e colocaram o idoso na bagageira do carro, percorrendo depois várias localidades da zona para comprar e consumir crack.

Na madrugada seguinte, dirigiram-se a um poço perto de Ervidel, também no concelho de Aljustrel. Partiram o cadeado que selava a tampa metálica, lançaram a vítima para o interior, voltaram a colocar a cobertura e abandonaram o local.

O arguido enfrenta ainda uma acusação separada por tentativa de roubo ocorrida nessa mesma noite.

Source: Observador

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